Julgamento

PJ mantém que homicida de Vila Fria matou mais duas pessoas e recusa outra hipótese

PJ mantém que homicida de Vila Fria matou mais duas pessoas e recusa outra hipótese

Um inspector-chefe da PJ frisou em tribunal que o homem conhecido por "triplo homicida de Vila Fria" matou mesmo mais duas pessoas, cujos corpos nunca foram encontrados, recusando a hipótese de os visados estarem em parte incerta.

A tese de que Rui Mesquita Amorim somou, em julho de 2018, mais dois homicídios aos três que já cometera em 1995, na localidade de Vila Fria (Viana do Castelo), foi corroborada pela mulher de Fernando Trico, assistente no processo, Claudia Borges, num depoimento prestado por videoconferência.

"Nenhum elemento existente na investigação dá força a essa tese [da eventual fuga]", disse o inspetor-chefe da Polícia Judiciária perante um tribunal de júri da Instância Central Criminal de São João Novo, no Porto.

"Tenho a certeza de que [Fernando Trico] não fugiu" à polícia e/ou a inimigos, declarou Cláudia Borges, que deu nota de encontros e telefonemas que o seu marido e Rui Mesquita Amorim terão mantido.

Referiu-se também a chamadas que recebeu depois de perder o rasto a Fernando Trico dando nota da exigência de um pagamento para o libertar de um suposto cativeiro. Tais chamadas terão cessado quando Cláudia pediu uma prova de vida do companheiro, disse a própria.

Também na sessão desta quinta-feira, o arguido nada declarou ao tribunal sobre os crimes que lhe são agora imputados, fazendo depender eventuais testemunhos de uma possível conversa com o advogado que escolheu.

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O causídico em causa não compareceu esta quinta-feira em tribunal, como já tinha feito na quarta-feira, levando a que o início do julgamento fosse então adiado por 24 horas e com o arguido a ser representado por uma advogada oficiosa.

O processo reporta-se a dois crimes de homicídio qualificado e outros tantos de profanação de cadáver, segundo um despacho de acusação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto.

Rui Mesquita Amorim terá consumado os dois homicídios por que é acusado em julho de 2018, durante uma saída precária da prisão, concluiu uma investigação policial "de muito elevada complexidade", que deu origem à acusação do DIAP.

"Aproveitou uma saída precária de cinco dias para cometer os homicídios dos dois indivíduos, seus conhecidos do ambiente prisional", relatou a PJ no termo investigação, dois anos após os factos.

Os crimes foram cometidos na Póvoa de Varzim e Vila do Conde, distrito do Porto, e a PJ concluiu que a segunda vítima foi morta "por conhecer as circunstâncias do desaparecimento e morte da primeira".

O que desencadeou toda a investigação foi a notícia do desaparecimento de um membro do chamado "Gangue de Valbom" (Gondomar), Fernando Trico, que em 2006 e 2007 assaltou dezenas de ourivesarias e farmácias e que Rui Amorim conhecera na cadeia de Coimbra.

O julgamento, em que o arguido está a ser vigiado por forças fortemente armadas da Guarda Prisional, prossegue na manhã de 3 de novembro.

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