Julgamento

PJ não verificou se Rui Pinto abriu caixas de correio que terá extraído

PJ não verificou se Rui Pinto abriu caixas de correio que terá extraído

A Polícia Judiciária (PJ) não verificou se as caixas de correio eletrónico descobertas nos discos apreendidos a Rui Pinto foram ou não abertas pelo hacker que alega ser um denunciante.

"Não fomos verificar o último acesso, não era prioridade nossa", admitiu esta quinta-feira o inspetor José Amador, ao testemunhar, pelo quarto dia, no julgamento do assumido criador do Football Leaks. "Correio é correio", justificou.

Entre os 90 crimes imputados pelo Ministério Público ao gaiense, de 31 anos, estão 68 de acesso indevido e 14 de violação de correspondência. Entre os lesados, estão elementos do Sporting - incluindo o seu ex-presidente, Bruno de Carvalho -, advogados e Amadeu Guerra, ex-diretor do Departamento Central de Ação e Investigação Penal (DCIAP).

O inspetor admitiu ainda que não é possível assegurar, ao contrário do que diz a acusação, que Rui Pinto era o gestor de uma conta no Twitter em que terão sido partilhados conteúdos confidenciais ligados, nomeadamente, ao fundo de investimento Doyen Sports, anteriormente alvo de um ataque informático atribuído ao hacker.

"Não consigo ligar [a conta] a ninguém", salientou Amador, assegurando que, quer naquele caso quer no de uma outra conta de ridicularização no Facebook, foram feitos os pedidos para que as empresas divulgassem a identidade de ambos os utilizadores. As respostas, porém, nunca chegaram.

"Ainda hoje tenho curiosidade em saber por que é que o Twitter não respondeu", desabafou.

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O inspetor continua a ser inquirido na próxima quinta-feira, 1 de outubro, no Tribunal Central Criminal de Lisboa. Para o mesmo dia, está ainda agendada o início do depoimento de um outro inspetor.

Rui Pinto tem estado presente em todas as sessões. Na primeira, a 4 de setembro de 2020, sustentou que tudo o que fez foi por "um bem maior" e que nunca recebeu qualquer verba pelos seus atos.

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