Reportagem

Polícias manifestaram-se em silêncio por melhores salários e condições

Polícias manifestaram-se em silêncio por melhores salários e condições

António José, agente da PSP há 32 anos e atualmente colocado em Leiria, prefere não verbalizar o porquê de estar a protestar. "O que tenho a dizer está no cartaz", justifica, apontando para o papel que exibe em plena Praça Luís de Camões, em Lisboa, e no qual alerta para as dificuldades que os polícias atravessam, sem deixarem de cumprir a sua missão. O silêncio não destoa do dos colegas.

Na véspera de terminar a discussão e aprovação do Orçamento do Estado para o próximo ano, centenas de profissionais da PSP desfilaram esta quinta-feira à tarde, em silêncio, entre o Chiado e a Assembleia da República por melhores salários e condições de trabalho dignas.

A marcha, encabeçada por uma tarja onde se lia "por todos", partiu com uma hora e meia de atraso em direção ao Parlamento e causou, dada a ausência de palavras de ordem, surpresa durante o percurso. "Será um protesto?", perguntava um casal de turistas, que, ainda assim, não deixou de fotografar o momento.

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"Pode ter soado a pouco, mas fica clarificado que em 2023, caso o Governo não dê respostas, é preciso mobilização", avisou, no fim da manifestação, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), Paulo Santos, organizadora do protesto. Não é, por isso, de estranhar que, na marcha, se vejam dezenas de logótipos da associação... entre uma gigantesca bandeira nacional.

Quem a carrega, por solidariedade com os polícias, é Alfredo Fernandes, de 95 anos e há muito aposentado da Guarda Nacional Republicana. "É a segunda manifestação a que venho. Estão a ser muito maltratados. Esta bandeira é o meu partido", salienta.

Apesar da idade, as forças são suficientes para só precisar de se sentar no Largo de São Bento, onde os manifestantes chegaram erguendo os telemóveis com a lanterna acesa, a fazer lembrar uma procissão de velas.

A permanência em frente ao Parlamento durou apenas alguns minutos, mas bastou para que o líder do Chega, André Ventura, ali surgisse e desfilasse, acompanhado de uma comitiva composta por mais deputados e elementos do partido. Poucos polícias aplaudiram, perante a indiferença - e nalguns casos indignação pela sua presença - dos restantes manifestantes.

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