Lamego

População de Lalim muda rotinas com medo de homem que matou a mulher

População de Lalim muda rotinas com medo de homem que matou a mulher

Ninguém passa no percurso onde Ana Maria Melo foi morta a tiro pelo ex-marido. Autoridades procuram há 11 dias o suspeito.

Os habitantes de Lalim, em Lamego, mudaram as suas rotinas diárias desde que Ana Maria Melo, de 56 anos, foi ali assassinada a tiro pelo seu ex-marido quando seguia a pé para o trabalho, com uma amiga. Há 11 dias que Henrique Carvalho, de 62 anos, está em fuga. A população receia que regresse à aldeia para cometer mais crimes.

"Por esta altura, as pessoas aproveitavam à noite para fazer uma caminhada pela fresca. Até às onze e meia viam-se pessoas na rua. Agora não", conta, ao JN, Maria do Céu, habitante da vila. E adianta que, no percurso onde ocorreu o crime, não passa mesmo ninguém.

No dia 14, Ana Maria Melo seguia a pé para a fábrica de enchidos onde trabalhava quando foi atingida com pelo menos cinco tiros pelo ex-marido. A amiga, de 37 anos, ainda foi atingida de raspão na perna e foi assistida no hospital. Desde então, mais ninguém viu Henrique Carvalho. As autoridades prosseguem as buscas para encontrar o suspeito, considerado perigoso.

"As pessoas continuam assustadas: mais as mulheres. Os homens têm menos medo", relata Maria do Céu.

filho sob proteção

Igualmente ausente das ruas de Lalim tem estado a família da vítima. O filho, a nora e a neta encontram-se, por precaução, em parte incerta. O presumível homicida terá ameaçado o filho mais velho de morte, por este ter tomado, aquando da separação, o partido da mãe.

Está sob proteção policial e não pôde sequer comparecer no funeral de Ana Maria Melo, na quinta-feira. Cerca de duas centenas de pessoas assistiram às cerimónias fúnebres, em Lalim. Entre elas não estava a mãe da vítima: está em choque e fortemente medicada.

Localizada a cerca de oito quilómetros de Lamego, a aldeia de Lalim está cercada de mato e bosque, que Henrique Carvalho conhecerá bem. As autoridades acreditam que ainda não terá saído da zona. O homem é considerado perigoso. A arma utilizada no homicídio ainda não foi descoberta.

No local do crime, foram encontrados vários invólucros e os papéis que formalizavam o divórcio que o suspeito não aceitara. Ana Maria Melo tinha sido vítima de violência doméstica e não chegou a acionar o botão de pânico que lhe fora atribuído para se defender.

VÍTIMA

Tinha botão de pânico

Ana Maria Melo dispunha de um botão de pânico, atribuído num processo de violência doméstica anterior, que fora suspenso com o seu acordo. Não se sabe ainda por que não o acionou: se por falta de tempo ou falta de rede. Uma semana antes, garantira estar tudo bem.

Divórcio em janeiro

Tinha dois filhos - o mais velho com 34 anos - e trabalhava há sete anos nos Fumeiros Porfírio. Em janeiro, divorciara-se de Henrique Carvalho. Desde então que residia em casa dos pais, de onde saiu para o trabalho na manhã em que foi assassinada a tiro.

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