Operação Marquês

Primo de Sócrates garante que o dinheiro é seu

Primo de Sócrates garante que o dinheiro é seu

José Paulo Pinto Sousa nega ter transferido "luvas" de Ricardo Salgado para o ex-primeiro-ministro e assume-se dono de toda a fortuna.

Paulo Pinto de Sousa, primo do ex-primeiro-ministro José Sócrates (2005-2011), negou ontem, na instrução da Operação Marquês, ter sido um dos testas de ferro do antigo governante socialista.

O Ministério Público (MP) acredita que o empresário disponibilizou, em 2006 e 2007, contas por si controladas na Suíça para que Sócrates pudesse receber cerca de nove milhões de euros de alegados subornos de Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES) e igualmente arguido no processo. Destes, pelo menos dois milhões terão sido depois entregues em numerário ao antigo governante, depois de terem sido repatriados para Portugal com o contributo de um intermediário sediado na Baixa de Lisboa, falecido no início de 2017, aos 74 anos.

Uma tese que foi ontem rejeitada em tribunal por José Paulo Pinto de Sousa, de 56 anos. De acordo com informações recolhidas pelo JN, o arguido garantiu ao juiz Ivo Rosa que o dinheiro acumulado em contas na Suíça, tituladas por sociedades offshore, era mesmo seu. Estaria, pelo contrário, relacionado com negócios seus. E acrescentou que, ao invés do que diz o MP, nunca entregou dois milhões de euros em dinheiro vivo ao ex-primeiro-ministro.

Esta foi a primeira vez que o empresário - nascido em Angola mas naturalizado brasileiro depois de, em 2016, ter renunciado à nacionalidade portuguesa - foi ouvido presencialmente na Operação Marquês. Anteriormente, fora apenas interrogado por carta rogatória, numa altura em que residia naquele país africano.

Na terça-feira, marcou presença no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, já depois de, em fevereiro, ter desistido de prestar declarações, já no âmbito da instrução do processo, destinada a decidir se existem indícios suficientes para o caso seguir para julgamento e, se sim, em que termos. Está acusado de dois crimes de branqueamento de capitais.

Mais de 20 milhões em luvas

Certo é que, na versão do MP, em causa estará apenas uma pequena parte dos mais de 20 milhões de euros com que Salgado terá subornado o ex-primeiro-ministro para este beneficiar, através da "golden share" que o Estado detinha na Portugal Telecom (PT), os interesses do Grupo Espírito Santo (GES) na empresa de telecomunicações, de capitais parcialmente públicos. Em causa terá estado, sobretudo, a atuação do Governo quanto à Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Sonae sobre a PT, à cisão da PT Multimedia e à estratégia da companhia no Brasil.

A tese foi já rejeitada por várias vezes, incluindo em tribunal, quer por Sócrates quer por Salgado. Estão acusados, respetivamente, de 31 e 21 crimes de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, entre outros ilícitos.

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