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Prisão preventiva para líderes das burlas com MB Way

Prisão preventiva para líderes das burlas com MB Way

Os dois homens, suspeitos de serem os líderes do grupo indiciado por ter lucrado meio milhão de euros com burlas no MB Way, vão aguardar o desenvolvimento do processo em prisão preventiva. O Tribunal de Instrução Criminal do Porto decretou a medida de coação de apresentações periódicas às autoridades para os três cúmplices.

O grupo é suspeito de ter lesado pelo menos 85 vítimas. Com simples telefonemas, levaram gestores, empresários e comerciantes de todo o país a acreditar que tinham créditos a receber da EDP relativos a faturas de energia elétrica. Foram convencidas de que, para receberem os valores, tinham de usar a aplicação MB Way e introduzir códigos, que na realidade dava, aos criminoso, controlo sobre as suas contas bancárias.

De acordo com informação recolhida pelo JN, os dois líderes do grupo são de Vila Nova de Gaia e os outros detidos, testas de ferro, residem no Porto, na Maia e em Penafiel.

Há cerca de um ano, antes de criarem o esquema dos falsos créditos, os mentores do grupo começaram por publicar falsos anúncios na Internet sobre venda de bens, com preços atrativos. Também contactavam pessoas que punham bens à venda. Depois, ao telefone, alegavam que as transações deveriam ser feitas via MB Way. Convenciam as vítimas a deslocar-se a um multibanco e a introduzir dados que permitiam aos burlões, na realidade, obter o domínio das contas bancárias das vítimas.

Assim, num curto espaço de tempo, faziam transferências para contas variadas através dos testas de ferro e levantavam o dinheiro. Fruto dos alertas das autoridades e das sucessivas notícias sobre burlas através da aplicação MB Way, em sites de anúncios, as pessoas começaram a tomar precauções e as vítimas escassearam.

Os líderes pensaram, então, num esquema que foi considerado inovador pelas autoridades. Procuraram na Internet contactos de comerciantes ou empresários, aos quais apresentavam a história dos créditos a receber. As vítimas eram selecionadas de forma aleatória, sem olhar a regiões.

No caso dos comerciantes, os indivíduos incitavam as vítimas a proceder de imediato à introdução de códigos e outros dados, através do terminal MB Way dos próprios estabelecimentos. Os códigos podiam permitir três tipos de operações: davam um acesso total às contas bancárias das vítimas, o que permitia aos criminosos movimentar valores a indiscriminadamente; ordenavam transferências imediatas e únicas de valores que iam parar às contas geridas pelos testas de ferro, ou desencadeavam carregamentos em sites de apostas internacionais.

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