Beja

Prisão preventiva para os seis cidadãos romenos detidos por tráfico de pessoas

Prisão preventiva para os seis cidadãos romenos detidos por tráfico de pessoas

Ficaram em prisão preventiva os seis cidadãos de nacionalidade romena, detidos na terça-feira em três localidades do distrito de Beja, no âmbito da operação "Masline (azeitona em romeno)" contra o tráfico de pessoas.

Ouvidos no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Évora, os cinco homens e uma mulher, com idades compreendidas entre os 22 e os 47 anos, representados por um único advogado, Manuel Belchior de Sousa, com escritório em Ferreira do Alentejo e tido como um perito na tipologia de crimes em causa, conheceram perto da meia-noite as medidas de coação, tendo recolhido ao Estabelecimento Prisional de Beja cerca das 02 horas.

O JN apurou junto de fonte da Direção Central de Investigação (DCI) do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), que foi "bloqueada uma conta bancária do principal suspeito no valor de 135 mil euros", estando a ser desenvolvidas outras diligências tendentes a apurar qual o património da rede de escravatura no distrito de Beja.

A operação "Masline" foi a maior realizada pelo SEF no combate ao tráfico de seres humanos, empregou 141 operacionais, e deu cumprimento a 6 mandados de detenção, 8 de busca domiciliária, 2 de busca a escritório e 12 para apreensão de viaturas, na sua maioria ligeiros de passageiros, topo de gama.

As detenções ocorreram nas zonas de Beja, Ferreira do Alentejo e Montes Velhos (Aljustrel) e são suspeitos do tráfico de pessoas, auxílio à emigração ilegal e associação de auxílio à imigração ilegal. Na sequência da investigação que decorria há um ano sob a alçada do DIAP de Évora, o SEF identificou 255 cidadãos de nacionalidade estrangeira, oriundos do leste europeu, que trabalhavam sujeitos a degradantes condições de trabalho, alojamento e salubridade.

A rede recrutava os trabalhadores nos países de origem, aliciando com melhores condições de vida, mas chegados a Portugal, ficavam sem os documentos e eram obrigados a trabalhar sem receberem qualquer vencimento, dormindo amontoados em habitações sem condições.

As vítimas foram transportadas ao final da tarde de terça-feira em diversos autocarros para as casernas do Regimento de Infantaria 1, em Beja, onde foram alimentadas e posteriormente identificadas e sinalizadas. Cerca das 06 horas de quarta-feira foram restituídas aos lugares onde se encontram a viver, tenho já comparecido na quinta-feira nas explorações agrícolas onde reiniciaram a apanha da azeitona.