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Prostituição: "A maior violência que sofremos é mesmo a violência institucional"

Prostituição: "A maior violência que sofremos é mesmo a violência institucional"

Luciana enverga um robe curto traçado, chinelos de pompons, é alta, magra, está maquilhada, muito penteada, unhas longas a brilhar. Entreabre a porta do apartamento do Porto, mostra-se, e diz a franquear: "Oi, querido, entra".

O corredor escuro tem iluminações de Natal, uma árvore de plástico a piscar e três portas; ela abre a dela, fecha, convida a desinfetar as mãos e aponta um termómetro de pistola. "Deu 36, tá ótimo". Depois deita-se na cama, distende uma manta fofa aos pés, o quarto é pequeno, quentinho, lá fora chove, a TV está num canal sem som, e ela diz a fingir malícia: "Então, vai querer o quê?".

Estamos agora longe dali, é uma estrada florestal rural que liga Braga a Guimarães, está frio, venta, daqui a pouco vai chover, e Maria caminha de costas nos seus sapatos altos, calções curtos, cabelo solto, casaco comprido forrado a lã, e sacoleja uma bolsinha pela mão - lá dentro tem preservativos, dodots, álcool-gel e máscaras cirúrgicas azul-celeste embaladas em dose individual. "Isso é a única coisa que mudou, pedirmos ao cliente que se desinfete e não tire a máscara", diz Maria, que tem cerca de 40 anos, como Luciana, a sorrir reticências para logo completar: "Isso e termos perdido na pandemia 70 a 80% do negócio, foi uma queda brutal".

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