e-Toupeira

Ministério Público investigou jornalistas para saber quem eram as fontes de informação

Ministério Público investigou jornalistas para saber quem eram as fontes de informação

Por ordem de uma procuradora do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa (DIAP) a PSP vigiou, durante cerca de dois meses, jornalistas responsáveis por uma notícia sobre a detenção de Paulo Gonçalves, assessor jurídico da SAD do Benfica. O DIAP confirmou a investigação, justificada pelo facto de os jornalistas estarem "na posse de detalhes que sugerem o acesso a peças do mencionado processo "e-toupeira". Um coordenador da PJ foi constituído arguido.

Em causa estava a violação do segredo de Justiça e a magistrada terá ordenado a vigilância de dois jornalistas do grupo Cofina (Sábado e Correio da Manhã), segundo noticia esta terça-feira o jornal Observador.

De acordo com o mesmo jornal, a magistrada, que ordenou mesmo a recolha de imagens, tentava perceber quem eram as fontes de informação dos jornalistas no caso da detenção de Paulo Gonçalves, assessor da SAD do Benfica.

A investigação, de que resultou a constituição como arguidos dos dois jornalistas e de um coordenador da Policia Judiciária, terá mesmo incidido sobre as contas bancárias de um dos jornalistas.

O DIAP de Lisboa emitiu uma nota, sublinhando que "este inquérito foi registado no dia 9 de março de 2018 e teve por base notícias publicadas a propósito do designado "caso e-toupeira", à data submetido a segredo de justiça".

"Em investigação está a fuga de informação que permitiu que, a 6 de março de 2018, dia em que se realizou a operação de buscas e detenções, ainda antes da efetivação das diligências, já jornalistas de dois órgãos de comunicação social estivessem na posse de detalhes que sugerem o acesso a peças do mencionado processo "e-toupeira", afirma o DIAP.

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Segundo o esclarecimento "o conteúdo dessas peças processuais, no momento em que começou a ser divulgado no sítio online daqueles órgãos de Comunicação Social, encontrava-se acessível a um núcleo muito restrito de pessoas, todas ligadas ao processo por razões funcionais".

As diligências, que incluíram buscas na própria Polícia Judiciária, foram feitas "por se suspeitar que os jornalistas em causa mantinham um contacto próximo e regular com agentes policiais ou do universo dos tribunais"

O DIAP entendeu, assim, "ser de extrema relevância probatória compreender com quem se relacionavam e que tipo de contactos estabeleciam com "fontes do processo", de modo a procurar identificar os autores das fugas de informação, também eles agentes da prática de crimes.

Para tanto, a 3 de abril de 2018, foi determinado à PSP a realização de vigilância policial dos suspeitos, autores das mencionadas notícias".

Na sequência da investigação, um coordenador de investigação criminal da Polícia Judiciária, "foi constituído arguido e interrogado no dia 5 de dezembro de 2019. Diligência de que foi dado conhecimento à Procuradoria-Geral da República".

"Com o objetivo de esclarecer as razões que terão movido o agente a fornecer informação sujeita a segredo de justiça, foi, a partir de janeiro de 2020, determinada a solicitação de documentação bancária referente ao arguido e, por despacho de 26 de fevereiro de 2020, quebrado o sigilo fiscal", adiantou o DIAP.

Em setembro do ano passado foi determinada a quebra de sigilo bancário relativamente a um dos jornalistas, que "foi interrogado como arguido no dia 30 de novembro de 2020".

Um segundo jornalista foi, igualmente, constituído e interrogado como arguido na passada sexta-feira.

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