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Quadrilha albanesa que atuava no Minho era "profissional" e "discreta"

Quadrilha albanesa que atuava no Minho era "profissional" e "discreta"

Investigadores criminais da GNR de Braga afirmaram, em tribunal, que a quadrilha albanesa a quem são imputados vários assaltos milionários e da qual dois elementos começaram a ser julgados na última semana era "profissional" e "discreta", em que cada um sabia o que tinha de fazer. É suspeita de ter cometido furtos no valor total de cerca de meio milhão de euros, entre finais de 2021 e inícios de 2022

Os dois arguidos, Edi Gjonaj (43 anos) e Artur Zisko (46 anos), estão em prisão preventiva e respondem por associação criminosa, furto qualificado e falsificação de documentos, tendo Edi Glonaj cadastro por crimes idênticos.

Segundo os operacionais do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR de Braga, durante o primeiro dia do julgamento, sexta-feira, no Tribunal de Braga, os suspeitos nunca cometeram furtos violentos, tendo mesmo fugido do dono de uma casa, apesar de este estar sozinho na vivenda, em Famalicão.

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Dos três elementos da quadrilha, um fugiu num carro das Operações Especiais da GNR, com armamento dentro, em finais de fevereiro de 2022, do local onde o grupo tinha um esconderijo, em Vila Nova de Cerveira. O carro foi abandonado em Espanha, ainda com as armas da corporação dentro.

Sempre com matrículas falsas

Com viagens constantes entre Portugal e Espanha, os elementos do grupo saíam sempre na A3 pelo acesso a Paredes de Coura e iam até um esconderijo, em Vila Nova de Cerveira, onde guardavam em pouco tempo, geralmente em três minutos a cinco minutos, o material usado para os furtos, como pés-de-cabra, marretas, luvas e walkie-talkies, ao mesmo tempo que trocavam as matrículas falsas.

A GNR de Braga apreendeu um Mercedes e uma carrinha Audi utilizados pelos suspeitos, para as suas deambulações entre Espanha e Portugal, colocando sempre chapas de matrículas falsas, mas com denominador comum de corresponderem a outros automóveis das mesmas marcas e modelos, para não levantar suspeitas. Nas deslocações, faziam manobras de diversão para saber se estavam ou não a ser seguidos, como alterações súbitas de velocidade ou voltas sucessivas em rotundas.

A quadrilha falaria por walkie-talkies, para não ser detetada pelas autoridades policiais, tinha um detetor de sinais de rede e outros aparelhos tão sofisticados que a GNR de Braga pretende agora que revertam a seu favor.

Quase não precisavam de falar

Segundo referiu um investigador criminal da GNR, nos assaltos a moradias de luxo "cada um sabia muito bem aquilo que tinha a fazer, quase não falavam uns com os outros e mal chegavam ao local onde escondiam as coisas apagavam as luzes da viatura e apenas utilizavam as suas luzes de lanternas de mineiro", tendo acrescentado "haver uma divisão de tarefas que estava perfeitamente definida antes dos furtos".

Ainda segundo a GNR, "até fatos de trabalho tinham e usavam-nos durante os furtos, como era visível nos sistemas de videovigilância das moradias onde eram praticados" os crimes, afirmou um outro investigador criminal da GNR. "Usavam sempre luvas e o único vestígio biológico encontrado nos veículos foi do que fazia de motorista" e que conseguiu fugir.

Nos furtos às residências minhotas, caberia a Desard Marku ficar ao volante e a vigiar as imediações, ficando a dupla que agora será julgada, Edi Gjonaj e Artur Zisko, com encargo de entrar nas casas e levar o mais valioso.

Segundo refere a acusação do Ministério Público, o primeiro dos furtos terá sido cometido na madrugada de 08 de outubro de 2021, em Gondizalves (Braga), enquanto o último assalto se verificou a 24 de fevereiro de 2022, em Aveleda (Braga), com o furto de um cofre às costas, poucas horas antes de serem detidos, em Vila Nova de Cerveira, dois dos três suspeitos dos assaltos.

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