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Quinze anos de internamento para homicida da mãe no Pinhal Novo

Quinze anos de internamento para homicida da mãe no Pinhal Novo

Diagnosticado com esquizofrenia em 1998, Luís Xavier deixou de tomar a medicação em 2015 e três anos depois, a 21 de abril de 2018, matou a própria mãe brutalmente em casa, no Pinhal Novo, por ver nela um demónio.

O Tribunal de Setúbal deu agora como provado que o técnico de ar condicionado agiu sem consciência do que estava a fazer, ilibou-o do crime de homicídio qualificado, mas ordenou que ficasse internado no Hospital Prisão de Caxias no mínimo durante 15 anos, tratado por esquizofrenia. Depois, cabe à equipa médica que o acompanha avaliar se o deve libertar ou não.

Na leitura da sentença no Tribunal de Setúbal, a juíza Sandra Conceição avaliou a violência do crime como "algo demolidor", com o qual nunca se tinha deparado antes. "No meio disto tudo, a única coisa que me dá consolo como ser humano é saber que a vítima estava já sem vida quando lhe espetou as canetas nos olhos", disse a presidente do coletivo de juízes a Luís Xavier, que se manteve sem reação durante a leitura da sentença.

A libertação do arguido e o tratamento para esquizofrenia em ambulatório foi posto de parte pelo Tribunal, tendo em conta que a doença, incapacitante, pode fazer com que deixe de cumprir o tratamento, como fez em 2015. "Existe um grande perigo de voltar a cometer este crime contra terceiros se não se mantiver em tratamento e por isso, antes de ser restituído à liberdade, tem que perceber a gravidade da doença", disse a juíza.

Na tarde de 21 de abril de 2018, o técnico de ar condicionados com 50 anos matou a própria mãe em casa no Pinhal Novo, um dia depois festejar o 86º aniversário da idosa. Albertina Xavier ofereceu ao filho o lanche, torradas e chá. Luís não permitiu que a mãe fizesse o lanche, já que esta tinha por hábito esmurrar o pão para que coubesse na torradeira, ato que o homem considerava ser contra a fé católica, já que o pão representa o corpo de Cristo. De acordo com a acusação, o arguido apertou e torceu o pescoço da própria mãe, pontapeou-a brutalmente e com a vítima já sem vida, espetou uma esferográfica no pescoço e outra nos olhos.

Na manhã seguinte ao homicídio, a irmã e cunhado dirigiram-se ao local e depararam-se com o corpo da idosa sem vida. Luís abriu a porta e disse ao cunhado que tinha feito uma asneira. O técnico de ar condicionados foi detido nesse dia e aos inspetores da PJ disse que via na mãe a entidade demoníaca.

Agredido na prisão

Luís Xavier foi colocado em prisão preventiva em Setúbal, onde foi agredido nos primeiros dias por reclusos. O arguido foi transferido para o Hospital Prisão de Caxias, onde permanece atualmente sob tratamento para a doença esquizofrenia.

Pai não se apercebeu do crime

O pai do homicida estava em casa na tarde do crime, mas não se apercebeu de nada. O homem a quem tinha sido diagnosticado cancro terminal faleceu três semanas depois da mulher.

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