Julgamento

Rapper Mota JR mordeu mão de homicida para fugir a agressões mortais 

Rapper Mota JR mordeu mão de homicida para fugir a agressões mortais 

O Tribunal de Instrução Criminal de Sintra descreve o homicídio de Mota JR, às mãos de João Luízo, Edi Barreiros e Fábio Martins, como violento e considera que os arguidos agiram com total desprezo e indiferença pela vida do rapper. Mota JR foi surpreendido pelos agressores à porta de casa numa cilada montada para o roubar e foi agredido até à morte. Tentou defender-se e mordeu Edi Barreiros na mão, mas não resistiu às violentas agressões.

Na autópsia ao corpo de Mota JR, que foi encontrado dois meses após o crime na Serra da Arrábida, são contabilizadas dez lesões graves na face e três no peito, as que provam que o rapper foi morto a soco e pontapé a 14 de março de 2020. A sua cabeça foi empurrada contra a parede, foi estrangulado e repetidamente agredido. Mota JR ainda mordeu Edi Barreiros na mão, mas não conseguiu fugir.

A gravidade dos ferimentos levou o Juiz de Instrução Criminal de Sintra a concluir que os três arguidos, assim que ficaram sozinhos com Mota JR, quiseram matá-lo. O plano inicial seria o de roubar o rapper. Já quanto à jovem de 22 anos que atraiu a vítima à cilada, o juiz considera que esta julgava que o rapper ia ser roubado, não assassinado.

Após as violentas agressões, o rapper foi colocado na bagageira da viatura utilizada pelos homicidas. Estes ainda tentaram entrar em casa de Mota para roubar o ouro do artista, mas a presença da sua mãe impediu-os.

Os arguidos deslocaram-se a casa onde João Luizo vivia, onde Edi Barreiros desinfetou a mão que tinha um ferimento de mordida pelo rapper. Os três trataram então de desfazer-se do corpo num mato na Serra da Arrábida, local que João Luizo conhece e regressaram a casa do rapper. Aproveitaram que a mãe da vítima estava fora, a realizar queixa na Polícia Judiciária pelo desaparecimento do filho, e levaram o ouro que o rapper tinha no quarto.

No dia seguinte venderam os bens de Mota JR numa ourivesaria no Barreiro e colocaram-se em fuga. Edi Barreiros e João Luízo fugiram para Inglaterra e Fábio Martins permaneceu em Portugal

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Os três arguidos estão pronunciados por homicídio qualificado, roubo agravado, sequestro, furto qualificado e profanação de cadáver. A jovem que serviu como isco para atrair Mota JR vai responder em tribunal por roubo, em coautoria.

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