Coimbra

Recluso levava droga do cemitério para a prisão

Recluso levava droga do cemitério para a prisão

Um antigo recluso confessou em tribunal ter aproveitado o trabalho no exterior do Estabelecimento Prisional de Coimbra para ali introduzir haxixe, em forma de placas e de bolotas.

Filipe Almeida seguia instruções de um grupo organizado, recebendo a droga num cemitério e levando-a para a prisão, com vista a pagar as dividas de droga acumuladas pelo irmão, também recluso em Coimbra.

A confissão comprometeu alguns dos 28 arguidos que começaram a ser julgados, ontem, no tribunal de Coimbra, por tráfico de droga, associação criminosa, extorsão, ofensas à integridade física e branqueamento de capitais.

Em julgamento, sujeito a forte segurança, está a introdução de haxixe na cadeia de Coimbra, em 2016 e 2017, por um grupo que a acusação qualifica de "organizado e tentacular". Entre os seus três líderes está o britânico Steven Johnson, 54 anos, que cumpre 25 anos de prisão, por sequestro e tortura de um escocês, em 2010, no Algarve.

Família preocupa arguido

"Comecei a fazer isto sob chantagem, para não fazerem mal ao meu irmão", declarou Filipe Almeida, que era útil ao gangue por trabalhar, em regime aberto, no Cemitério da Conchada, em Coimbra. Foi daqui que, só numa ocasião, levou cerca de 60 bolotas de haxixe, que recebeu de uma mulher e entregou a reclusos próximos da liderança do gangue, cujas identidades revelou.

Uma advogada perguntou a Filipe Almeida se a sua confissão o fazia recear pela vida. O homem, que nem na secção de segurança da cadeia de Paços de Ferreira se sente seguro, respondeu que sim, mas acrescentou: "A minha vida já não me diz nada. O que me preocupa são os meus pais, as minhas irmãs, o meu irmão".

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Ontem, o tribunal ouviu outro recluso que já experimentou o caráter violento da organização, que "também fazia roubos e extorsões". Num só dia, relatou, foi violentamente agredido em três ocasiões, na casa de banho, por causa do desaparecimento de um embrulho com haxixe.

Antes de o processo chegar a julgamento, outro recluso, que tinha sido ameaçado e transferido de cadeia, acabou por se suicidar. v

Duas ex-namoradas de reclusos acusados também prestaram depoimento, por branqueamento de capitais. O tribunal questionou-as sobre depósitos, de pequenas quantias mas em grande número, detetados nas suas contas bancárias. A acusação diz que as arguidas disponibilizaram contas para pagamentos de droga, mas elas alegaram desconhecer a origem criminosa do dinheiro.

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