Braga

Recluso volta à cadeia por não ter onde viver

Recluso volta à cadeia por não ter onde viver

Um recluso que tinha sido libertado da cadeia de Braga, com licença precária de 45 dias no âmbito das medidas de contingência para evitar a propagação da Covid-19, entregou-se no próprio estabelecimento prisional porque não tinha sítio onde viver.

O presidiário, Mário Aires, conhecido por "Coxo", natural de Braga, cumpre pena por tráfico e consumo de droga. Saiu da cadeia regional de Braga com os seus bens e cerca de 50 euros no bolso, provenientes do fundo de reserva do trabalho quotidiano que desenvolvia.

Sem casa própria, Mário "Coxo" dirigiu-se à residência de uma irmã, na freguesia de Lomar, arredores de Braga. Mas, ao fim de dois dias, constatou que, em face da exiguidade do espaço, estaria a contribuir para uma eventual contaminação, pelo que não havia condições de permanência naquele local também habitado por crianças. Apesar de não ter sintomas, nem ter sido testado, levantou a hipótese de ter contraído o novo coronavírus. Assim, optou por não fazer os familiares correr riscos.

O recluso preferiu deixar a residência da irmã, procurando uma pensão, mas não tinha dinheiro. Andou cerca de uma semana a dormir na rua, enquanto a PSP constatou logo a ausência prolongada da casa da familiar. Por isso, as autoridades já o procuravam em bairros sociais de Braga.

Padre intermediou

A reentrada no estabelecimento prisional de Braga foi intermediada pelo padre João Torres, coordenador da Pastoral Penitenciária da arquidiocese de Braga. O próprio sacerdote católico levou o recluso, a pedido de um antigo condenado que colocou ambos em diálogo.

Estimado pelos presidiários em Braga, o padre Torres correspondeu então à solicitação do recluso, que desejava voltar para trás das grades, a fim de ter um teto. Não estando a viver na casa da irmã, a ausência foi encarada pelas autoridades como violação da obrigação de confinamento.

Fontes contactadas pelo JN reconhecem em Mário Aires um comportamento prisional regular. Chegou a trabalhar, em regime aberto, nas obras de construção do Presépio de Priscos, em Braga, onde o padre João Torres é pároco e seu animador. Esta circunstância contribuiu para que o recluso aceitasse a sua mediação com a cadeia de Braga.

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