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Operação “Tagus Clams”

Rede internacional vendia amêijoas com elevados níveis de toxicidade

Rede internacional vendia amêijoas com elevados níveis de toxicidade

200 militares da GNR estão a executar 80 mandados de busca e oito de detenção. Operação conta com o apoio da Europol e passa também por Espanha e Itália

Uma operação de grandes dimensões, que tem o apoio da Europol, está a decorrer desde as 7.00 horas desta segunda-feira em Portugal, Espanha e Itália. Em território nacional, as diligências estão a cargo de 200 militares e GNR, centram-se na área da Grande Lisboa e visam desmantelar uma rede internacional dedicada ao comércio de bivalves impróprios para consumo humano, que terá arrecadado cerca de cinco milhões de euros. As amêijoas japónica e de pé de burro, com elevados níveis de toxicidade, eram apanhadas no rio Tejo, mas vendidas como se fossem originárias do rio Sado.

A investigação começou há cerca de ano e meio e permitiu identificar, segundo a GNR, "uma rede criminosa com dimensão transnacional que, de forma organizada e fraudulenta, se dedicava à apanha ilícita e posterior introdução no circuito comercial, para consumo humano, de vários tipos de bivalves". As amêijoas japónica e pé de burro apresentavam elevados níveis de toxicidade, mas não eram sujeitas ao processo de depuração adequado antes de serem comercializadas.

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Para contornar o controlo das autoridades, a rede recorria à adulteração de certificados de origem, vendendo os bivalves apanhados no rio Tejo, mas "cujos documentos falsamente referiam a origem no rio Sado".

Capturadas dezenas de toneladas diárias

Todos os dias eram capturadas dezenas de toneladas de bivalves destinados à comercialização quer em território nacional, quer para outros países europeus. "Da atividade comercial marginalmente desenvolvida pela rede criminosa resultou a ocultação à administração tributária de transações estimadas em cerca de cinco milhões de euros, o que, para além de defraudar o Estado português em sede de IVA, IRS e IRC, lhes permitiu ilicitamente obter significativas vantagens patrimoniais", descreve a GNR. A Guarda acrescenta que estão em causa os crimes de branqueamento de capitais, associação criminosa, fraude fiscal qualificada, falsificação de documentos e crimes contra a saúde pública.

Através da Unidade de Ação Fiscal, a GNR está a participar numa operação que decorre, simultaneamente, em Espanha e Itália. Por cá, mais de 200 militares estão a executar 80 mandados de busca e seis de detenção. Com o apoio da Europol, também a Guardia Civil está a levar a cabo cinco buscas em Espanha, enquanto em Itália são os Carabineri que estão a procurar provas em seis locais.

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