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Bragança

Rede que introduzia droga na cadeia de Izeda começou a ser julgada

Rede que introduzia droga na cadeia de Izeda começou a ser julgada

Começou esta terça-feira no Tribunal de Bragança o julgamento de 22 arguidos acusados de introduzirem droga no Estabelecimento Prisional de Izeda, entre o final de 2015 e outubro de 2017, que, segundo a acusação, operavam como uma rede organizada para vender estupefacientes a outros presos que eram consumidores.

Entre os arguidos estão reclusos e seus familiares, a maioria residentes na zona do grande Porto, que se sentam no banco dos réus acusados de vários crimes, nomeadamente associação criminosa, tráfico agravado e outras atividades ilícitas, branqueamento de capitais e detenção ilegal de arma.

Na primeira sessão do julgamento estiveram presentes 20 arguidos, com idades entre os 60 e os 26 anos, dos quais vários são reclusos e os restantes são seus familiares ou mantém com eles algum tipo de relacionamento, como os pais de um dos presos que foram apanhados em flagrante pela Polícia Judiciária na posse de droga no parque de estacionamento daquela cadeia num dia em que iam fazer uma visita. A mãe, foi detetada com estupefacientes durante a realização de uma visita. Tinha ainda em sua posse seis talões de depósitos bancários A Polícia Judiciária (PJ) vinha no seu encalce desde o Porto, onde o casal reside.

Segundo a acusação, quatro arguidos, à data dos factos reclusos no estabelecimento prisional de Izeda, organizaram uma estrutura humana e logística, de que faziam parte outros reclusos e familiares destes com vista à "aquisição de cannabis, heroína e cocaína no exterior, seu transporte e introdução no estabelecimento prisional, para aí ser comercializado".

A acusação considera que a droga seria introduzida na cadeia na altura das visitas, "acondicionada nos genitais de familiares de arguidos reclusos ou com a colaboração de um arguido que desempenhava funções num balcão exterior ao estabelecimento prisional". A droga era comercializada no interior da cadeia e os arguidos utilizavam contas bancárias tituladas por outras pessoas, seis delas arguidas no processo para fazer os depósitos.

A PJ realizou várias detenções no final de outubro de 2017, na sequência de investigações que vinham sendo realizadas há algum tempo, baseada em escutas telefónicas. Após a realização de buscas às camaratas dos reclusos foram detidas 16 pessoas.

Na primeira sessão do julgamento a maioria dos arguidos não quis prestar declarações.