Julgamento

Rui Patrício sobre ataque a Alcochete: "Não nos matem"

Rui Patrício sobre ataque a Alcochete: "Não nos matem"

O antigo guarda-redes do Sporting, Rui Patrício, relatou esta segunda-feira que os invasores entraram na academia de Alcochete "com uma agressividade muito grande e começaram logo a agredir", admitindo que teve o sentimento de "não nos matem".

"Estava no balneário a preparar-me para o treino quando ouvi barulho e apercebo-me de adeptos aos gritos a entrarem pelo balneário, onde estava o plantel quase todo. O Vasco Fernandes, que era o nosso secretário técnico, tentou fechar a porta do balneário, mas não conseguiu. Entraram de cara tapada e começaram logo a agredir. Não falaram com ninguém, começaram logo a agredir. Entraram com uma agressividade muito grande. Vinham com tudo. Eles entraram, não sei se vinham para matar, mas vinham com tudo", afirmou Rui Patrício.

O internacional português assumiu que naquele momento teve um sentimento de: "não nos matem".

"Dava para perceber que havia muita confusão. Quem foi agredido, não deu para perceber. Havia confusão, havia fumo, havia gritos. Quando entraram no balneário, lançaram tochas. Nós tentávamos acalmá-los, mas eles estavam muito agressivos. Mandaram tirar a camisola, disseram 'vocês são uma vergonha' e vamos matar-vos. Foi um momento de muita tensão", descreveu o guarda-redes.

Rui Patrício foi ouvido por Skype na 16.ª sessão do julgamento da invasão à academia leonina, em Alcochete, em 15 de maio de 2018, com 44 arguidos, incluindo o antigo presidente do clube Bruno de Carvalho, que decorre no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

Sobre a rescisão com o Sporting, o guarda-redes justificou a decisão com questões psicológicas.

"Era impossível continuar em Portugal. Não tinha condições psicológicas para continuar a minha atividade profissional em Portugal. Ainda há muita coisa por resolver, ainda mexe muito comigo, mesmo estando em Inglaterra. Há momentos e há noites em que ainda vivo aquilo e tento ultrapassar", assumiu Rui Patrício, perante ao coletivo de juízes, presidido por Sílvia Pires.

A testemunha contou que o primeiro elemento a entrar no balneário desferiu um pontapé em alguém que não se recorda, acrescentando que, quando estava a tentar separar um dos elementos que estava a agredir William Carvalho, com "socos no peito, juntaram-se mais três ou quatro indivíduos" e agarraram-no e agrediram-no.

Depois, relatou, um dos elementos virou-se para si e disse: "'Estás-te a rir? Queres ir embora, eu parto-te a boca toda'".

Após a invasão, o internacional português afirmou ter visto "Bas Dost a levar pontos na cabeça e o mister Jorge Jesus a sangrar da boca e do nariz", quando o técnico foi ter com os jogadores ao balneário.

No exterior da ala profissional, mas ainda no interior da academia, Rui Patrício contou que viu Fernando Mendes, um dos arguidos no processo e antigo líder da claque Juventude Leonina, a falar com o treinador Jorge Jesus e o jogador William Carvalho.

O atleta, de 31 anos, atualmente nos ingleses do Wolverhampton, esteve no Sporting durante 18 anos, desde os 12 anos até aos 30 anos (desde o ano 2000 até junho de 2018).

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