Football Leaks

Rui Pinto: Ana Gomes encontrou um jovem "culto" e "bastante cândido" na prisão 

Rui Pinto: Ana Gomes encontrou um jovem "culto" e "bastante cândido" na prisão 

A ex-eurodeputada Ana Gomes contou esta quarta-feira, em tribunal, que, quando visitou Rui Pinto na prisão, encontrou um jovem "culto" e "bastante cândido". "Fiquei muito impressionada", testemunhou a diplomata, que chegou a encomendar livros para o criador assumido do Football Leaks.

O hacker autointitulado denunciante, a ser julgado em Lisboa por 90 crimes, esteve em prisão preventiva entre março de 2019 e abril de 2020 no estabelecimento prisional anexo à Polícia Judiciária. Durante esse período, recebeu a visita de Ana Gomes "quatro ou cinco vezes", a primeira das quais para a ex-eurodepuada lhe entregar um prémio do Parlamento Europeu para "whistleblowers" (denunciantes).

Da primeira vez, encontrou-o "bastante revoltado com a sua situação" e "muito relutante em cooperar com a polícia", mas, a partir daí, a sua posição "foi evoluindo". Desde abril de 2020 que Rui Pinto, atualmente a residir num local desconhecido ao abrigo do programa de protecção de testemunhas, está a colaborar com as autoridades noutros inquéritos. Será guiado, acredita Ana Gomes, por um desejo de "justiça".

Além de criador do Football Leaks, o gaiense, de 32 anos, diz ainda ser a fonte dos Luanda Leaks, que tornou pública, no início de 2020, informação do universo da empresária Isabel dos Santos.

Esta quarta-feira, Ana Gomes - que há várias anos é crítica da atividade da angolana - garantiu "não ter dúvidas" de que foram os Luanda Leaks que levaram as autoridades nacionais a investigar Isabel dos Santos. "O que realmente muda tudo é o Luanda Leaks", sublinhou.

Rui Pinto está acusado, no total, de 89 crimes informáticos alegadamente cometidos na obtenção da informação e um de tentativa de extorsão, este último em coautoria com o advogados Aníbal Pinto, que diz ser inocente. Os ataques terão sido praticados contra cinco entidades, entre 2015 e 2019.

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Na primeira sessão do julgamento, a 4 de setembro de 2020, Rui Pinto alegou que tudo o que fez foi por "um bem maior". As diligências continuam esta quarta-feira à tarde, com o depoimento de mais testemunhas arroladas pela defesa.

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