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Rui Pinto sai da prisão para ajudar a Polícia Judiciária

Rui Pinto sai da prisão para ajudar a Polícia Judiciária

Pirata passou a ter estatuto especial para colaborar com a Justiça, mas continua a ser julgado por tentativa de extorsão.

Rui Pinto saiu esta quarta-feira da cadeia anexa à Polícia Judiciária (PJ), em Lisboa. Fez um acordo com as autoridades e aceita colaborar com a justiça para que o Ministério Público (MP) e a PJ tenham acesso a todos os segredos contidos no material informático, até então encriptado, que lhe foi apreendido, quando foi detido na Hungria.

Foi libertado mas fica, por razões de segurança, sob guarda da PJ com um estatuto especial de "testemunha". Ainda assim, será julgado pelos crimes que lhe são imputados.

O acordo de colaboração foi negociado nos últimos dias entre o próprio Rui Pinto, os seus advogados, bem como altos responsáveis do MP e da PJ. Apesar de não existir em Portugal um estatuto formal de "arrependido", o pirata informático passa a beneficiar da "benevolência" do MP, que propôs à juíza de instrução criminal Cláudia Pina, com a anuência do arguido, a atenuação da medida de coação da prisão preventiva.

Em troca, as autoridades exigiram que Rui Pinto fornecesse as chaves de desencriptação do material informático, onde armazenou uma quantidade gigantesca de informação, como e-mails, sobre inúmeros casos mediáticos.

Na prática, as informações que o criador do Football Leaks entrega agora à PJ poderão ajudar os inspetores em diversas investigações visando a corrupção no futebol, a banca, mas também o mundo empresarial e político.

Informações sobre fraudes

Através de inúmeras intrusões em escritórios de advogados e figuras empresariais de diversos quadrantes, Rui Pinto terá armazenado muita informação sobre circuitos de fuga ao Fisco e branqueamento de capitais, através de off-shores.

A análise de toda a informação agora disponível poderá levar o MP e a PJ a abrir dezenas de novos inquéritos, num autêntico tsunami contra as personalidades e instituições espiadas por Rui Pinto, nos últimos anos, antes de ser preso, pela tentativa de extorsão ao fundo Doyen Sports.

Agora libertado, oficialmente, o pirata informático passa a estar em prisão domiciliária, com proibição de acesso à Internet. Mas não irá para casa, em Gaia.

Mediante o risco de represálias pelas revelações que já fez, mas também pela colaboração agora firmada com as autoridades, Rui Pinto aceitou estar sob guarda da PJ. Passou a viver, desde esta quarta-feira, em instalações próprias da PJ, mas pode a qualquer momento mudar de lugar, por razões de segurança.

Os advogados de Rui Pinto, William Bourdon e Francisco Teixeira da Mota congratularam-se com a decisão, confiando "que outros passos serão dados no sentido da total liberdade do seu constituinte, cujas revelações já muito contribuíram para o combate à grande criminalidade, nomeadamente no âmbito do crime económico".

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