"Football Leaks"

Ana Gomes alerta sobre "pessoas corruptas no sistema policial"

Ana Gomes alerta sobre "pessoas corruptas no sistema policial"

O advogado Francisco Teixeira da Mota afirmou que Rui Pinto não teme pela sua segurança e está a ser bem tratado na prisão, com cela isolada, visitas e recreio individuais. A eurodeputada diz que Rui Pinto temeu pela vida por haver "pessoas corruptas no sistema policial com ligações à Doyen".

Ana Gomes apelou à investigação das ligações entre agentes de autoridade e a Doyen, a propósito das declarações de Rui Pinto à Justiça, na Hungria, antes de ser extraditado para Portugal. "Ele disse que temia pela sua vida porque sabia que havia algumas pessoas corruptas no nosso sistema policial com relações muito próximas à Doyen", revelou a eurodeputada, durante um debate, segunda-feira, no gabinete do Parlamento Europeu, em Lisboa, e no qual também participaram os dois advogados de Rui Pinto (o francês William Bourdon e o português Francisco Teixeira da Mota), assim como Antoine Deltour, um denunciante associado ao caso Lux Leaks.

Questionada sobre se ela própria tem confiança na Justiça portuguesa, Ana Gomes destacou que, "como cidadã", tem de ter. "Mas não sou ingénua e sei que há gente criminosa infiltrada em certos meios", observou, realçando que o seu interesse é apenas no combate à corrupção. "O futebol não me interessa nada, nunca entrei em nenhum estádio", destacou.

Ainda relativamente à Doyen, Ana Gomes deixou mais suspeitas. "O que é a Doyen? É um fundo sediado em Malta que podemos pesquisar na Google e vemos as ligações com a máfia cazaque, com negócios muito estranhos".

William Bourdon, um dos advogados do hacker português, confirmou que a Justiça francesa fez a cópia dos documentos de Rui Pinto e que "essa informação deverá chegar dentro de dias às mãos do Eurojust".

Bem tratado na prisão

William Bourdon e Francisco Teixeira da Mota insistiram que a prisão preventiva de Rui Pinto "é ilegal". O hacker está indiciado pelos crimes de acesso ilegítimo, violação de segredo, ofensa à pessoa coletiva e extorsão na forma tentada. "Apenas o último seria passível da medida de coação tão gravosa, mas, no nosso entender, não recebeu um cêntimo", justificou o causídico português.

Sobre a segurança de Rui Pinto, Teixeira da Mota disse que "está salvaguardada". "Ele está sozinho numa cela, tem recreio e visitas em separado, e tem sido bem tratado", revelou.

Já o francês sublinhou que todo este processo "está apenas a começar" e considerou que, no final, Rui Pinto será "declarado inocente".

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