Football Leaks

Rui Pinto invoca regras para não tirar máscara ao ser identificado

Rui Pinto invoca regras para não tirar máscara ao ser identificado

Rui Pinto invocou, esta quinta-feira, razões sanitárias para não tirar a máscara ao ser identificado, em julgamento, por um seu senhorio em Budapeste, na Hungria, onde residiu entre 2015 e 2019. Balint Bozó acabou, ainda assim, por confirmar a identidade do gaiense, de 32 anos, através de uma fotografia do hacker, autointitulado denunciante, mostrada pelo tribunal.

O episódio aconteceu durante a 32.ª sessão do julgamento do criador assumido do Football Leaks. Já perto do fim do depoimento do húngaro - inquirido por videoconferência e com recurso a uma intérprete -, a procuradora Marta Viegas pediu que este confirmasse se a pessoa em julgamento em Lisboa é a mesma que foi sua inquilina entre 2015 e 2016.

O coletivo de juízes presidido por Margarida Alves pediu então a Rui Pinto que se aproximasse do computador usado para realizar a videochamada para a Hungria. Este fê-lo, mas, ao vê-lo, Bozó disse não ser capaz de o identificar de máscara. Os magistrados solicitaram, por isso, ao arguido que retirasse a proteção facial (duas máscaras descartáveis sobrepostas), o que este recusou, apoiado pela sua advogada, Luísa Teixeira da Mota, que lembrou que "não são essas as indicações" existentes quanto à covid-19. O uso de máscara é, por razões de segurança, obrigatório nos tribunais.

Os juízes mais próximos do computados e alguns dos outros causídicos presentes na audiência ainda se chegaram a levantar para garantir um distanciamento de dois metros que permitisse retirar a proteção facial em segurança, mas o gaiense não cedeu e acabou por regressar ao seu lugar sem ser identificado. Os juízes mostraram então a Bozó uma fotografia retirada da Comunicação Social, que este disse corresponde ao seu ex-inquilino e que Rui Pinto confirmou, entre risos, ser mesmo sua.

"Jovem" e "boa pessoa"

Segundo a acusação do Ministério Público, terá sido a partir da casa gerida pela irmã de Bozó que o gaiense terá, em 2015, atacado os sistemas informáticos do Sporting e da Doyen Sports, para se apropriar de documentação posteriormente divulgada no Football Leaks. A associação foi feita pelas autoridades através do endereço de IP associado aos ataques.

Esta quinta-feira, Bozó confirmou que o arguido arrendou um quarto no apartamento em causa entre 2015 e 2016. Na habitação residiriam mais dois ou três jovens universitários. A Internet era assegurada por um modem com Wi-Fi, registado no nome da irmã da testemunha. A renda, cujo valor já não se "lembra muito bem", era paga pelo autointitulado denunciante em florins, a moeda húngara. Os contactos com os inquilinos aconteciam somente por e-mail e, sobre Rui Pinto, disse apenas que era "jovem" e "boa pessoa", "estudava em Budapeste" e tinha a sensação de que era português.

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Questionado pelo tribunal se, antes de 2019, o apartamento foi alvo de visitas da Polícia, Bozó garantiu que tal nunca aconteceu. A habitação foi uma das visitadas pelas autoridades em janeiro de 2019, a propósito da detenção do hacker. O gaiense morava, nessa altura, noutra residência em Budapeste, onde foram apreendidos discos rígidos, entre outras provas.

Rui Pinto está acusado de 89 crimes informáticos cometidos contra cinco entidades: além do Sporting e da Doyen Sports, terão igualmente sido atacadas, entre 2015 e 2019, a Procuradoria-Geral da República, a Federação Portuguesa de Futebol e a sociedade de advogados PLMJ. É ainda suspeito de, em coautoria com o advogado Aníbal Pinto, ter tentado extorquir, em 2015, a Doyen Sports, exigindo entre 500 mil e um milhão de euros para parar a divulgação no Football Leaks de documentação do fundo.

O crime é negado por ambos. Na primeira sessão do julgamento, a 4 de setembro de 2020, Rui Pinto garantiu que tudo o que fez foi por "um bem maior". As próximas audiências, destinadas à inquirição das duas últimas testemunhas da acusação, estão agendadas para 26 e 27 de janeiro. Seguir-se-ão depois os depoimentos das testemunhas arroladas pela defesa dos arguidos.

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