Football Leaks

Rui Pinto não deu à PJ credenciais para abrir discos encriptados

Rui Pinto não deu à PJ credenciais para abrir discos encriptados

José Amador, inspetor da Polícia Judiciária (PJ) envolvido nos processos em que Rui Pinto está a colaborar com as autoridades, assegurou, esta quinta-feira, em tribunal que o hacker optou por abrir ele próprio os discos encriptados em que está armazenada a informação, ao invés de fornecers a credenciais à PJ para o fazer.

Rui Pinto recusou dar à PJ credenciais para abrir discos encriptados, diz inspetor. "Nós não temos nenhuma utilidade enquanto possível colaboração com outras entidades", sublinhou a testemunha, precisando que tal foi "resultado direto" da opção do arguido.

Questionado pelo coletivo de juízes se tal significa que o gaiense continua no controlo da informação, o inspetor hesitou quanto ao que poderia revelar e acabou por não dar uma resposta.

Amador frisou ainda que desde que Rui Pinto aterrou em Lisboa em março de 2019, a PJ quis que colaborasse no próprio processo, mas o hacker autointitulado denunciante optou por não o fazer. A sua defesa ainda propôs que tal acontecesse no âmbito do Eurojust, o que, dadas as características do organismo - com assento exclusivo para magistrados -, não seria possível, alegou.

"Até ao encerramento dos [presentes] autos não houve condições para que essa colaboração produzisse efeito prático nos autos", disse, frisando que a alteração de postura aconteceu em março deste ano, já depois de ter sido proferida a decisão instrutória que conformou a sua ida a julgamento.

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O julgamento do processo Football Leaks prossegue esta quinta-feira no Campus da Justiça, em Lisboa, com a continuação da inquirição ao inspetor da Judiciária José Amador.

Rui Pinto, de 31 anos, responde por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, por 14 de violação de correspondência e por seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol e a Procuradoria-Geral da República, e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto, então representante de Rui Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, "devido à sua colaboração" com a Polícia Judiciária (PJ) e o seu "sentido crítico", mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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