"Football Leaks"

Rui Pinto só vai responder a perguntas em tribunal depois do verão

Rui Pinto só vai responder a perguntas em tribunal depois do verão

Depoimento depende da análise de um apenso com e-mails que terão sido exfiltrados pelo hacker. Juízes propuseram, esta quinta-feira, solução para apressar procedimento.

O tribunal que está a julgar Rui Pinto por alegadamente ter, entre 2015 e 2019, acedido de forma ilegítima ao sistema informático de cinco entidades estima que o hacker, autointitulado denunciante, só poderá responder às perguntas de juízes, procuradora e advogados do processo a partir de 15 de setembro de 2021.

Rui Pinto já tornou pública, através do seu advogado, a intenção de prestar esclarecimentos em tribunal sobre os crimes de que é acusado. Mas somente depois de poder analisar, com ferramentas forenses, os ficheiros de um apenso no qual foram reunidos e-mails que o criador assumido do "Football Leaks" terá exfiltrado e que foram indicados como prova pelo Ministério Público (MP).

Esta quinta-feira, o coletivo de juízes propôs que tal aconteça nas instalações da Polícia Judiciária e não através da entrega à defesa do arguido, como esta requerera, de uma cópia daquele apenso. A solução foi aceite por Rui Pinto, MP e três das entidades lesadas: o fundo de investimento Doyen Sports, Federação Portuguesa de Futebol e Sporting Clube de Portugal. Já a sociedade de advocacia PLMJ pediu cinco dias para se pronunciar. A quinta entidade presumivelmente visada pelo hacker foi a Procuradoria-Geral da República.

Se se confirmar, a solução permitirá evitar a interposição de recursos para o Tribunal da Relação de Lisboa e, assim, impedir que o julgamento, iniciado em setembro de 2020, seja suspenso até que exista uma decisão dos juízes desembargadores.

Esta quinta-feira, o ex-presidente da associação Transparência e Integridade, João Paulo Batalha, reiterou a importância das revelações feitas por Rui Pinto, em particular no âmbito dos "Luanda Leaks", dos quais o gaiense garante ser a fonte. Outras duas testemunhas falaram sobre a organização do universo Doyen.

Rui Pinto, de 32 anos, responde, no total, por 89 crimes informáticos e um de tentativa de extorsão à Doyen Sports, este último em coautoria com o advogado Aníbal Pinto. O autointitulado denunciante alega que tudo o que fez foi por "um bem maior". Já o causídico nega qualquer extorsão. O julgamento decorre no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

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