Football Leaks

Rui Pinto tinha "ideia romântica" das regras do Direito, diz diretor da PJ

Rui Pinto tinha "ideia romântica" das regras do Direito, diz diretor da PJ

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Luís Neves, defendeu esta quarta-feira, em tribunal, que, aquando da sua detenção, Rui Pinto tinha "uma ideia romântica" das regras do direito e que, entretanto, amadureceu. E acredita que o hacker, acusado de 89 crimes informáticos, não irá reincidir na pirataria informática, mesmo atendendo à sua consciência "social".

"Pode ser um cidadão que não reitere na prática dos factos de que aqui é suspeito", sublinhou, baseado na sua experiência profissional de mais de 20 anos, Luís Neves.

"Acho que ele interiorizou e se consciencializou que o seu comportamento não era adequado. [...] No espaço de um ano há um amadurecimento", sustentou, ao depor no julgamento de Rui Pinto, o diretor nacional da PJ, precisando que a mudança de atitude do arguido coincidiu com o período em que, no início de 2020, foi proferida a decisão instrutória que confirmou a sua ida a julgamento, por um menor número de crimes do que aqueles de que fora acusado pelo Ministério Público.

Segundo Luís Neves, o criador assumido da plataforma "Football Leaks" passou de uma atitude de "fechamento" para uma "colaboração efetiva" com as autoridades, que se mantém. "Para além da informação de que é detentor, tem uma grande memória, informaticamente é uma pessoa muito evoluída, muito capaz, e consegue estabelecer grandes conexões entre os mundos aqui falados", descreveu o dirigente.

"Tinha uma ideia romântica, de alguma rebeldia, de alguma não interiorização do que eram as regras do Direito, e esse tempo passou", acrescentou o diretor nacional da PJ, que, no verão de 2018 decidiu que seria feito um "investimento" de meios para apanhar o "hacker" autointitulado denunciante.

Rui Pinto, de 32 anos, foi detido em janeiro de 2019 na Hungria, onde residia, no âmbito de um mandado de detenção europeu emitido pelas autoridades portuguesas. Viveria em Budapeste "numa situação absolutamente modesta, humilde, com algumas dificuldades".

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Extraditado para Portugal em março de 2019, ficou em prisão preventiva até abril de 2020. Desde então que se encontra numa habitação disponibilizada pela PJ, ao abrigo de um programa de proteção de testemunhas. Responde, no total, por 89 crimes informáticos alegadamente praticados entre 2015 e 2019 e um de tentativa de extorsão, este último em coautoria com o advogado Aníbal Pinto, que diz ser inocente.

Na primeira sessão do julgamento, a 4 de setembro de 2020, Rui Pinto afirmou ser um "whistleblower" (denunciante) e alegou que tudo o que fez foi por "um bem maior".

O julgamento prossegue esta quarta-feira, em Lisboa, com o depoimento da ex-eurodeputada Ana Gomes, arrolada como testemunha pela defesa de Rui Pinto.

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