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Sangue no chão e tochas. GNR relata cenário de "pânico" em Alcochete

Sangue no chão e tochas. GNR relata cenário de "pânico" em Alcochete

O primeiro militar da GNR a chegar à academia de Alcochete, depois do ataque aos jogadores e equipa técnica do Sporting, disse esta segunda-feira em tribunal que encontrou os jogadores "em pânico e revoltados".

Na quarta sessão do julgamento dos 44 arguidos acusados no processo da invasão à academia do Sporting, que decorre no Tribunal de Monsanto, o militar do Núcleo de Investigação Criminal do Montijo explicou que, quando chegou à ala profissional de futebol do clube, acompanhado por outro colega, foi recebido pelo chefe de segurança da academia, Ricardo Gonçalves, que "descreveu sumariamente o que se tinha passado" e encaminhou os militares para a sala de convívio onde estavam os jogadores, a equipa técnica e elementos do staff.

"Os jogadores estavam em pânico, revoltados e a falar todos ao mesmo tempo. Depois, acalmaram-se e explicaram o que se passou. Explicámos-lhes os direitos que tinham e se queriam formalizar queixa", relatou o militar da GNR, acrescentando que, por estar a "deitar muito sangue da cabeça e por estar muito revoltado", o jogador Bas Dost foi o que mais lhe "saltou à vista", sublinhando que o futebolista foi ao hospital pelos seus próprios meios juntamente com outro elemento do staff do Sporting.

A testemunha afirmou que o holandês disse, em português, que queria apresentar queixa, acrescentando que o treinador Jorge Jesus "tinha um vermelhão na cara" e que outros dois elementos do staff do clube apresentavam ferimentos: um na cara e outro na zona abdominal.

O militar da GNR foi depois levado até ao balneário, descrevendo que, no percurso, encontrou gotas de sangue no chão, tochas, um garrafão de 25 litros de água tombado e garrafas de água caídas, um "cheiro intenso a fumo" e "uma camisa do Sporting queimada na zona da barriga". No exterior, disse ter visto duas viaturas danificadas e uma pequena zona de vegetação seca queimada, provavelmente devido a uma tocha.

Bruno de Carvalho, Bruno Jacinto e Mustafá acusados

O atual líder da Juve Leo, Mustafá, o antigo presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, e o ex-oficial de ligação aos adeptos do clube, Bruno Jacinto, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo. Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos 41 arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o Ministério Público imputa-lhes a coautoria dos mesmos crimes. Os indivíduos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

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