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Sargentos da GNR exigem transparência nas colocações

Sargentos da GNR exigem transparência nas colocações

Guarda promoveu 2892 militares, mas muitos dos 187 sargentos com nova patente temem ser ultrapassados por colegas mais novos devido a colocações por escolha do Comando-Geral da GNR

Muitos dos sargentos da GNR promovidos no final do mês passado temem que se repita o processo de colocação verificado em novembro do ano passado. Nessa altura, noticiou o JN, mais de 50% dos militares foram colocados nos respetivos postos e funções por escolha direta do Comando-Geral da Guarda, ultrapassando colegas que esperavam por uma transferência há vários anos. A Associação Nacional de Sargentos da Guarda (ANSG) falou, então, em "fraude" e, agora, exige que o procedimento de colocação respeite o "mérito e as expetativas pessoais" dos sargentos.

O Diário da República de 3 de maio formalizou a promoção de 2892 militares da GNR, entre os quais 187 nas várias categorias de sargento. No período de dois meses, todos serão colocados e se alguns manterão as mesmas funções nos mesmos postos, outros serão transferidos para novas tarefas e novas unidades. Alguns, como é hábito, ficarão colocados a centenas de quilómetros de casa.

Foi o que aconteceu a muitos sargentos em novembro do ano passado, depois de terem sido ultrapassados por colegas mais novos, que mantiveram as mesmas funções na sequência de uma proposta do seu comandante direto devidamente ratificada pelo Comando-Geral da GNR. 61 dos 104 sargentos promovidos foram colocados por escolha, uma opção permitida por lei, mas que, para a ANSG, "distorceu o mérito dos militares" e "subverteu as normas e as legítimas expectativas dos militares que, nalguns casos, aguardavam por uma nova colocação há vários anos". "O livre-arbítrio e discricionariedade do Comando da GNR foi longe demais", alegou.

Expectativas defraudadas

Agora, a associação liderada por José Lopes "reitera e faz inclusive votos que o atual procedimento de colocação venha a decorrer com a normalidade desejada, sem atropelos, em observância do estrito cumprimento das normas, respeitando o mérito e as expectativas pessoais, enquadrando as possíveis escolhas no caráter nominal e excecional". A ANSG apela ainda para que "o procedimento colocacional ocorra no mais curto espaço de tempo", pois "não é aceitável que um militar de posto superior exerça funções de posto inferior". Ao JN, vários sargentos recentemente promovidos afirmam temer que o número de colocações por escolha seja semelhante ao do último procedimento, defraudando as suas expetativas de se "aproximarem de casa e das famílias".

"A modalidade de colocação por escolha precede todas as restantes modalidades de colocação, processando-se independentemente de qualquer escala e da vontade dos militares e visa a satisfação das necessidades e/ou interesses do serviço, tendo em conta as qualificações, as qualidades pessoais do militar e as exigências do cargo ou das funções a desempenhar", explicou o Comando-Geral da GNR, em novembro. A mesma fonte acrescentou que, com a opção pela colocação por escolha, "procura-se garantir um equilíbrio organizacional, rentabilizando os quadros com formação qualificada nas funções cuja mesma é necessária". "Não atender às qualificações nas colocações dos militares acarretaria elevados constrangimentos operacionais e financeiros para a instituição, na medida em que muitas das especializações da Guarda ficariam sem militares com a habilitação necessária e adequada para o exercício dessas mesmas funções", assumiu a GNR.

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