Investigação

Seguranças do Urban Beach acusados de tentativa de homicídio

Seguranças do Urban Beach acusados de tentativa de homicídio

O Ministério Público acusou três seguranças que prestavam serviço na discoteca Urban Beach de homicídio qualificado na forma tentada.

"De acordo com os indícios, no dia 1 de novembro de 2017, pelas 06h30, na zona das roulottes de comes e bebes, no Cais da Viscondessa, em Lisboa, os arguidos confrontaram-se com os ofendidos, agredindo-os violentamente", pode ler-se no despacho de acusação.

Os arguidos, três seguranças de uma empresa privada, foram acusados, cada um, "de um crime de homicídio qualificado na forma tentada". As agressões foram filmadas por um telemóvel entregues na Divisão de Investigação Criminal da PSP de Lisboa.

Segundo o despacho de acusação, um dos arguidos desferiu socos, uma chapada e um pontapé na cabeça de um dos ofendidos; pelo meio, ainda lhe desferiu uma facada na coxa, pode ler-se na acusação, publicada no site da Procuradoria Geral Distrital de Lisboa.

A acusação acrescenta que "o segundo ofendido, pessoa que veio em auxílio do primeiro, quando o levantava do solo, foi projetado ao chão por um segurança, identificado como terceiro arguido, que de seguida lhe saltou, de pés juntos, para cima da cabeça, atingindo-o, apesar de este ter protegido a cabeça com os braços".

"Os ofendidos sofreram vários traumatismos, lesões e fraturas", aponta a acusação, considerando que os seguranças "sabiam que a cabeça aloja órgãos vitais e que os ferimentos daí resultantes poderiam determinar a morte dos ofendidos".

A PGDL lembra que, em data próxima dos factos e na sequência da divulgação nas redes sociais e na comunicação social de imagens de agressões violentas junto da discoteca Urban Beach", os agressores foram identificados e detidos, um deles pela PSP e dois outros no seguimento de mandados de detenção fora de flagrante delito emitidos pelo MP.

Presentes na altura ao juiz de instrução criminal para primeiro interrogatório, a dois dos arguidos foi aplicada a medida de coação de prisão preventiva e ao outro as medidas de proibição de contactos por qualquer meio com os ofendidos e com os coarguidos e de proibição do exercício da atividade de segurança privada.

A investigação foi dirigida pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, com a coadjuvação da PSP.

Na sequência do ocorrido e de várias queixas anteriormente apresentadas à PSP por "alegadas práticas violentas ou atos de natureza discriminatória ou racista", o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, determinou a 25 de janeiro o encerramento da discoteca Urban Beach por um período de seis meses.

A discoteca Urban Beach reabriu contudo a 26 de janeiro com novas medidas de segurança implementadas, depois de o ministro da Administração Interna ter autorizado o funcionamento do espaço noturno.

O grupo K, proprietário do Urban Beach, chegou a interpor uma ação em tribunal para suspender a decisão do ministro de encerramento, mas tal foi rejeitada.

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