Segurança

Sete polícias mortos em Portugal desde 2000

Sete polícias mortos em Portugal desde 2000

A morte com um tiro na nuca de um militar da GNR, há um ano, foi o mais recente assassinato de um agente da autoridade, em serviço. Desde o ano 2000, pelo menos sete morreram, em serviço, às mãos de suspeitos.

As associações sindicais da polícia lamentam as mortes por assassinato de forças de segurança portuguesas, em serviço, e garantem que o número de agressões violentas está a aumentar.

1. O último assassinato de um agente da autoridade aconteceu em agosto do ano passado, na Quinta do Conde, Sesimbra, onde uma disputa entre vizinhos a propósito de um cão acabou num triplo assassinato. Primeiro, pai e filho foram mortos a tiros de caçadeira. O pai, um elemento da PSP fora de serviço, morreu no local e o filho acabou por não resistir aos ferimentos. A GNR respondeu à ocorrência com várias patrulhas. Uma integrava um militar de 24 anos de idade. No momento em tentava ajudar as vítimas, foi também atingido a tiro, na nuca.

O homicida, na altura com 77 anos de idade, barricou-se em casa e tentou suicidar-se, mas foi detido pela polícia. Acabou por morrer também, na sequência de uma queda na clínica de psiquiatria do hospital prisional São João de Deus, em Caxias, meses depois.

2. O assassinato em serviço anterior vitimou também um militar da GNR. Em 2013, Bruno Chaínho, de 27 anos de idade, acorreu a um sequestro de várias pessoas no restaurante "O Refúgio", em Palmela. A sua intervenção desviou a atenção do sequestrador e permitiu a fuga aos reféns, mas custou-lhe a vida: mal entrou no restaurante, foi abatido com um tiro na cabeça.

O homicida, um imigrante moldavo que trabalhava na construção civil, foi ele próprio abatido quando o Corpo de Intervenção da GNR tomou o restaurante de assalto. Chaínho era natural de Santiago de Cacém e trabalhava no posto de Pinhal Novo há quatro meses.

3. Na PSP, o último assassinato em serviço aconteceu há uma década. Em 2005, morreu Irineu Diniz, um agente em patrulha no bairro da Cova da Moura, em Lisboa. A patrulha ia entrar na Rua Principal quando um vigia de um negócio de droga disparou uma rajada de 29 tiros sobre o jipe patrulha. Foram usadas uma arma automática de nove milímetros (calibre de guerra) e uma caçadeira e foram detonados zagalotes (munições por norma usadas na caça ao javali).

Os dois polícias foram apanhados de surpresa e mal o condutor se apercebeu que o colega tinha sido atingido na cabeça e no tórax, dirigiu-se ao Hospital Amadora/Sintra. Tentaram reanimar Irineu Diniz, mas sem sucesso. O condutor ficou ferido sem gravidade. Irineu Jesus Diniz tinha 33 anos trabalhava na esquadra da PSP de Alfragide há cerca de dez anos.

4 e 5. Também em 2005, um tiroteio na Amadora matou dois agentes da PSP. Estavam em patrulha no bairro da Falagueira, numa operação de rotina, quando tentaram identificar um automobilista. Em resposta, foram baleados. António Carlos Abrantes, de 30 anos e natural da Guarda, e Paulo Jorge Alves, de 23 anos e nascido em Gondomar, morreram. O terceiro agente ficou ferido com gravidade. O homicida pôs-se em fuga e acabou detido 24 horas depois, em Melides, Alentejo, e foi condenado a 18 anos de cadeia.

6. Já em 2003, um agente da PSP foi mortalmente atropelado numa barreira montada para travar um veículo em fuga, em Vila Real de Santo António. O automóvel era perseguido desde Lagos, no outro extremo do Algarve. Perto da ponte sobre o Guadiana, 150 quilómetros depois, a PSP, a GNR e a Guardia Civil tinham unido esforços para deter os fugitivos, um casal português e um homem alemão. Os suspeitos de tráfico de droga e roubo ainda abalroaram um carro que compunha a barreira antes de atropelarem mortalmente Armando Luís Caleiro Lopes, de 38 anos de idade, natural de Vila Real. Foi ainda transportado com vida para o Hospital de Faro, mas morreu no bloco operatório.

7. Na Polícia Judiciária, é preciso recuar a 2001, quando, no Porto, o inspetor da Polícia Judiciária João Melo foi emboscado e morto a tiro pelo gangue dos Ferreiras, que se dedicava a assaltos com especial violência, adiantou Ricardo Varandas, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária.

Paulo Rodrigues, coordenador da plataforma dos sindicatos das forças de segurança, lamenta também a morte de forças de segurança em serviço e acrescentou uma tendência recente: se o número total de agressões à polícia está a diminuir, já as agressões violentas são cada vez mais frequentes. "Dantes, bastava a presença de um polícia para, por exemplo, interromper um assalto, mas agora é frequente os assaltantes atacarem a autoridade", assegura. Por isso, tem reivindicado junto do Ministério da Administração Interna a criação de um diploma que regule a higiene e segurança no trabalho.

O Relatório de Segurança Interna do ano passado regista 616 feridos na PSP, GNR, PJ, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e Polícia Marítima.

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