Segurança

Sindicato avança para tribunal se polícias continuarem sem usar máscaras

Sindicato avança para tribunal se polícias continuarem sem usar máscaras

SINAPOL alega que saúde dos polícias está em perigo. Direção Nacional da PSP não vê razão para alterar protocolo em vigor

O Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL) exige que os agentes usem, para além da viseira em acrílico, uma máscara social que os proteja do novo coronavírus. E garante que vai recorrer ao tribunal se a o Ministério da Administração Interna não implementar, no espaço de uma semana, esta medida de segurança. "Está em causa a saúde e, no limite, até a a vida dos polícias a cabe-nos, enquanto sindicato, defender estes direitos", referiu, ao JN, Armando Ferreira, presidente do SINAPOL.

A Direção Nacional da PSP não está, porém, disposta a mudar procedimentos, até porque, realça, o número de polícias infetados com a covid-19 tem "seguido uma tendência de decréscimo"

Num ofício enviado ao ministro Eduardo Cabrita, este sindicato alega que, na PSP, "a utilização de equipamentos de proteção individual continua a ser restrita" e, em muitos casos, só possível com "autorização superior". "Sendo obrigação da tutela salvaguardar a segurança dos polícias e garantir a existência e fornecimento de máscaras de proteção individual com regularidade que a utilização das mesmas exige não entendemos como isto ainda está a acontecer", defende o SINAPOL.

Este sindicato sustenta que a simples utilização da viseira de acrílico não protege totalmente os polícias no atual contexto de pandemia e lembra que quer a Direção-Geral de Saúde, quer a Ordem dos Médicos já alertaram para este facto. Aliás, revela Armando Ferreira, o receio de contágio já levou alguns agentes a recusarem, por exemplo, abastecer o carro-patrulha numa gasolineira pública. "Como não tinham máscara para usar tiveram medo de ficar doentes", explica.

"Aguardamos que Vossa Excelência [ministro] altere a forma como a PSP está a gerir a atribuição e uso dos equipamentos de proteção individual com a maior brevidade possível. Caso tal não aconteça, este sindicato desde já informa que irá recorrer aos meios judiciais para obrigar o Governo a cumprir com aquela que é uma das suas missões, neste caso proteger os profissionais de polícia", lê-se no documento. Ao JN, Armando Ferreira afirma que irá aguardar cerca de uma semana para dar início a um "processo judicial para a aplicação de medidas cautelares".

PSP mantém confiança nas viseiras

Contactada pelo JN, a Direção Nacional da PSP mantém a confiança no uso exclusivo das viseiras. "Sabemos que o vírus se transmite por gotículas e as viseiras têm a vantagem de proteger, para além da boca e do nariz, os olhos. Por outro lado, dificulta o contacto das mãos com a face. Cumpre todos os requisitos", frisa fonte oficial.

A Direção Nacional da PSP lembra ainda que "tudo o que consta nos planos de contingência", inclusive o uso de viseira, "tem sido estabelecido em coordenação com as autoridades de saúde. E acrescenta que a Polícia foi "das primeiras entidades a disponibilizar máscaras e luvas" para serem utilizadas em situações específicas.

Por último, a Direção Nacional da PSP salienta que "o número de casos de agentes infetados tem seguido uma tendência de decréscimo ao longo das últimas semanas". Por esse motivo, não houve qualquer "necessidade de rever os planos de contingência" definidos.

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