Rui Pinto

Sociedade de advogados PLMJ usou "sala segura" para abrir blogue "Mercado do Benfica"

Sociedade de advogados PLMJ usou "sala segura" para abrir blogue "Mercado do Benfica"

O coordenador da área de infraestruturas informáticas da PLMJ, alegadamente atacada por Rui Pinto no final de 2018, afirmou esta terça-feira, em tribunal, que foi usada, naquela sociedade de advogados, uma "sala segura" para visualizar o blogue "Mercado de Benfica".

Na página, entretanto suspensa, terão sido publicados caixas de correio e documentos do processo e-Toupeira que, acredita o Ministério Público (MP), terão sido extraídos da PLMJ ilicitamente, de forma remota, por Rui Pinto. O gaiense, de 32 anos, é igualmente suspeito de ser o autor da divulgação.

João Medeiros, então advogado daquele escritório, era um dos mandatários da SAD do Benfica no e-Toupeira, um processo relacionado com a existência de "toupeiras" nos tribunais e no qual a estrutura liderada por Luís Filipe Vieira foi ilibada ainda antes do julgamento.

Esta terça-feira, António Faria, de 42 anos, admitiu que a PLMJ só percebeu que tinha sido atacada ao saber das publicações no "Mercado do Benfica". "Foi a partir dessa altura que começámos a fazer a investigação", acrescentou o coordenador. As diligências incluíram a consulta do blogue, numa "sala segura".

"Tinha uma máquina que não estava no domínio PLMJ. Se houvesse algum tipo de ataque, seria apenas à máquina visada", precisou.

O hacker, assumido criador do Football Leaks e autointitulado denunciante, está a ser julgado, em Lisboa, por 90 crimes, entre os quais 68 de acesso indevido à PLMJ, à Procuradoria-Geral da República, à Federação Portuguesa de Futebol e à Doyen Sports.

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O MP sustenta que o ataque à PLMJ esteve relacionado com o e-Toupeira, mas a defesa do gaiense contrapõe que esteve associado aos Luanda Leaks, dos quais Rui Pinto garante ser a fonte.

Esta terça-feira, João Sarmento Ramalho, então sócio da sociedade e um dos advogados que terá tido a sua caixa de correio eletrónico exfiltrada, reconheceu que chegou a ver uma notícia sobre Isabel dos Santos que poderia ter a ver com o seu departamento. Mas ressalvou que, "pessoalmente", não se lembra de ter trabalhado com a empresária angolana.

O julgamento continua esta terça-feira à tarde, no Tribunal Central Criminal de Lisboa.

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