Reação

Sócrates revoltado com "mentiras" de "motivação política"

Sócrates revoltado com "mentiras" de "motivação política"

Promete defender-se de "gravíssima injustiça". "Prenderam e difamaram durante sete anos um inocente", acusa.

Foi debaixo de um grande aparato policial e protestos de alguns populares que José Sócrates saiu do Campus da Justiça, esta sexta-feira, em Lisboa. De postura triunfante, após ter sido ilibado dos crimes de corrupção, o antigo primeiro-ministro afirmou várias vezes que a justiça portuguesa "estava errada" e voltou a acusar o Ministério Público, o juiz Carlos Alexandre e a própria comunicação social de "manipulação" do processo. "Todas as grandes mentiras contadas aos portugueses em sete anos, razão pela qual me prenderam e difamaram, são falsas. Isso ficou hoje aqui provado", afirmou.

Quanto aos crimes pelos quais foi pronunciado, Sócrates reafirmou a inocência. "Não são verdade. Vou defender-me desses crimes, não sei se em recurso da própria decisão do juiz, se em tribunal, mas vou defender-me", sublinhou. O arguido não respondeu a várias perguntas dos jornalistas, reiterando apenas que "prenderam e difamaram durante sete anos um inocente" e que foi alvo de "uma gravíssima injustiça".

"A acusação sempre teve uma motivação política e essa motivação está bem clara numa decisão do juiz no processo Marquês. Quando este chegou ao Tribunal Central de Instrução Criminal a sua distribuição foi manipulada e viciada para que o juiz Carlos Alexandre ficasse com o processo", acusou.

Sócrates alega também que "o Ministério Público através do procurador sempre defendeu essa distribuição". "Só posso concluir que o MP escolheu o juiz, e os dois agiram por forma a investigarem-me, acusarem-me e prenderem-me. Isso é um verdadeiro escândalo".

Em tom irónico, Sócrates mostrou-se "sem receio de nada". "Aconteceram dois crimes, de manipulação do processo e de encobrimento porque o Ministério Público e o Conselho Superior de Magistratura encobriram o crime", acusou.

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Enquanto falava aos jornalistas, alguns populares insultaram-no. "Ladrão e corrupto" foram as injúrias mais ouvidas. Durante a tarde o ambiente esteve calmo, tendo sido apenas interrompido pela chegada de um popular, Luís Ferreira, que esteve em frente ao tribunal em silêncio com uma folha onde podia ler-se "bandidos".

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