Operação Marquês

Sócrates volta a negar ter nomeado Vara

Sócrates volta a negar ter nomeado Vara

O ex-primeiro-ministro José Sócrates reiterou esta terça-feira perante o juiz Ivo Rosa, na instrução da Operação Marquês, que não influenciou a nomeação de Armando Vara, em 2005, para a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Para o Ministério Público (MP), o antigo governante (2005-2011) terá escolhido Vara para a administração do banco público para, assim, ter alguém que, mediante uma contrapartida financeira, atuasse segundo os seus interesses pessoais.

Sócrates e Vara estão acusados de ter recebido, cada um, um suborno de um milhão de euros a propósito do crédito de 200 milhões de euros ao empreendimento de Vale do Lobo, considerado ruinoso para a CGD.

"O engenheiro Sócrates reiterou aqui hoje [terça-feira] que não teve nenhuma influência na nomeação", afirmou aos jornalistas, ao abandonar o Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, o advogado de Vara, Tiago Rodrigues Bastos.

O mandatário do ex-administrador da Caixa lembrou, ainda, que o mesmo fora já referido por Fernando Teixeira dos Santos e Carlos Costa Pina, respetivamente ex-ministro das Finanças e ex-secretário de Estado do Tesouro de Sócrates, já inquiridos enquanto testemunhas na instrução da Operação Marquês.

Pelas 18 horas desta terça-feira, o ex-primeiro-ministro continuava a ser interrogado, à porta fechada, por Ivo Rosa, no segundo dos quatro dias reservados pelo magistrado para tal.

De acordo com informações recolhidas pelo JN, o antigo governante estará ainda a ser questionado sobre o grupo Lena, do qual terá, segundo o MP, recebido mais de cinco milhões em "luvas" como contrapartida por um alegado favorecimento, entre outras áreas, na concessão do TGV.

Sócrates está acusado, no total, de 31 crimes de corrupção, branqueamento de capitais, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada. Ao todo, a Operação Marquês conta com 28 arguidos, a quem o MP imputou 188 crimes.

A fase de instrução, facultativa e requerida por 19 arguidos, visa apurar se existem indícios suficientes para o processo seguir para julgamento e, se sim, em que termos.