Justiça

Suspeita de ajuste de contas em rapto de empresário

Suspeita de ajuste de contas em rapto de empresário

Nem pedido de resgate, nem sinal do empresário raptado por três encapuzados armados quando chegava a casa, cerca das 21 horas de sexta-feira, na companhia da filha, de oito anos, que ficou em choque com o ataque.

O caso está a ser investigado por uma brigada especializada da Polícia Judiciária (PJ) do Porto, mas, ao fim da noite de sábado, não se previa um desenlace rápido do caso, para o qual não existe ainda uma explicação clara.

Paulo Jorge Fernando Fernandes, de 43 anos, emigrado em França, onde trabalha no setor da construção civil com um irmão, acabara de chegar ao prédio onde reside, na Avenida Dr. António Palha, em Lamaçães, Braga, quando foi atacado, no acesso à garagem, por três encapuzados, armados com "shotguns", que chegaram num Mercedes Classe A cinzento. Foi agredido a murro, metido à força no carro, amarrado e vendado, e não mais foi visto. No local ficou a filha, de oito anos, que tinha ido buscar ao colégio e com a qual deveria ter ido jantar, a casa dos pais.

Foi a criança que, em pânico, foi contar o que se tinha passado ao pessoal da Farmácia de Lamaçães, no mesmo prédio. No local, no chão, ficaram os vestígios de sangue da vítima.

Durante a noite de sexta-feira e na madrugada e no dia de sábado, os inspetores da PJ do Porto multiplicaram os interrogatórios e as diligências, designadamente junto dos familiares mais próximos - a ex-mulher, os pais e os sogros - e nas imediações do local do crime, procurando testemunhas ou imagens de videovigilância que possam fazer alguma luz sobre os autores do crime. Mas, apurou o JN, os avanços não terão sido significativos e da parte dos raptores não terá havido qualquer contacto ou pedido.

Entre as hipóteses em análise, está a possibilidade de se tratar de uma "cobrança difícil", levada a cabo por indivíduos contratados. Depois de trabalhar na empresa do pai, um conhecido empreiteiro de Braga, Paulo Fernandes montou a sua própria firma, no mesmo setor, mas a mesma acabaria por ser declarada insolvente em 2013, deixando algumas centenas de milhares de euros em dívidas, o que levou a que tivesse emigrado. Aqui, poderá estar outra explicação possível para o crime.

Testemunha fundamental

Ao que o JN soube, a primeira pista - entretanto abandonada - apontava para que Paulo Fernandes tivesse sido raptado pelo seu papel fulcral como testemunha de uma alegada burla - na venda de património de centenas de milhares - relacionada com um processo de insolvência no valor de milhões que envolveu a empresa do pai, a Sociedade de Construções JM Fernando Fernandes. A pista terá sido menorizada, já que a queixa foi investigada pela PJ e arquivada pelo Ministério Público. As investigações prosseguem.

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