“Operação Bóreas”

Tabaco ilegal apreendido pela GNR vinha de Angola e Espanha

Tabaco ilegal apreendido pela GNR vinha de Angola e Espanha

Maços eram vendidos entre os 3,5 e os 4 euros ao balcão de cafés, bares e restaurantes. Armazém de Braga era ponto de distribuição de cigarros vindos de Espanha

O tabaco contrabandeado pela rede desmantelada nesta terça-feira pela GNR era transportado para Portugal através de dois circuitos: um com origem em Angola e que usava malas de viagem colocadas no porão do avião; outro que partia de Espanha e tinha num armazém de Braga o ponto de distribuição. Os maços de cigarros eram vendidos ao balcão de cafés, bares e restaurantes entre os 3,5 e os 4 euros.

Há mais de um ano que o Destacamento de Ação Fiscal de Lisboa da GNR vigiava os elementos da organização criminosa que abasteceu a região de Lisboa e Vale do Tejo de tabaco ilegal. E foram as diligências realizadas durante este período que permitiram descobrir que um grupo de angolanos a residir em Portugal efetuou viagens regulares a Angola com o único objetivo de contrabandear tabaco. Os maços de cigarros eram adquiridos naquele país africano a um preço bastante baixo e colocados em malas de viagem, despachadas para o porão do avião na viagem de regresso a Portugal. "As malas que deviam ter roupa estavam cheias de tabaco", avança fonte da GNR ao JN. Já no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, as mesmas bagagens eram recolhidas pelos contrabandistas que, imediatamente, tentavam abandonar o espaço sem serem sujeitos a qualquer fiscalização. "Este método foi abandonado com a chegada da pandemia provocada pela covid-19", explica a mesma fonte policial.

Desde então, a rede passou a colaborar com outra organização dedicada ao contrabando que ia buscar os cigarros a Espanha para os armazenar em armazéns de Braga. Um deles foi alvo de buscas durante a "Operação Bóreas", que ainda decorre, e estava repleto com parte substancial dos mais de três milhões de cigarros já apreendidos.

De Braga o tabaco ilegal era transportado para a Grande Lisboa, onde a organização dispunha de vários pontos de venda. Eram cafés, bares e restaurantes com acordos com os líderes da organização e que vendiam maços da marca Austin, Red, Regina ou Winston a preços que variavam entre os 3,5 e os 4 euros. "O valor dependia da marca e das quantidades compradas. Havia quem comprasse apenas um ou dois maços, mas outros adquiriam nove ou dez volumes", refere fonte ligada à investigação.

Os cinco homens já detidos durante a "Operação Bóreas" são os principais elementos da organização. Alguns dedicam-se em exclusivo ao contrabando, mas outros têm outra atividade profissional.

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