Bragança

Testemunhas em contradição sobre se Giovani caiu ou tropeçou numa escada

Testemunhas em contradição sobre se Giovani caiu ou tropeçou numa escada

A primeira testemunha arrolada pelo Ministério Público a depor no julgamento dos sete homens acusados de um crime de homicídio consumado de que terá sido vítima Luís Giovani Rodrigues foi confrontada na sessão desta quinta-feira, em Bragança, com as declarações que fez em janeiro de 2020 na Polícia Judiciária, sobre uma queda ou um tropeção que a vítima mortal terá sofrido nas escadas da travessa dos Negrilhos, por existir uma contradição.

Durante as três sessões do julgamento em que prestou depoimento, Gailson Mendes, um dos três jovens que acompanhava Giovani na madrugada de 21 de dezembro de 2019, quando terão sido agredidos pelos arguidos, disse que a vítima tropeçou e agarrou-se ao corrimão central das escadas. Só que, anteriormente, havia dito à PJ que o amigo tinha caído nessas escadas.

O advogado de defesa do arguido Bruno Coutinho requereu que fossem lidas as primeiras declarações da testemunha durante a sessão. "O objetivo era fazer realçar as contradições que existem. A diligência requerida faculta a possibilidade de exibir à testemunha as declarações anteriores porque há contradições que foram manifestas e até com a segunda testemunha [Elton Barros], ouvido durante a tarde, foi o próprio tribunal que oficiosamente o confrontou com as mesmas contradições. Agora cabe ao tribunal apurar a versão que lhe parece mais verosímil", explicou Eurico Carrapatoso, o advogado, que considera que face à inconclusividade do relatório da autopsia é necessário esclarecer o que está em causa.

A segunda testemunha a depor, também ofendido, Elton Barros, afirmou no julgamento que Giovani tropeçou e se agarrou ao corrimão, mas também terá dito à PJ que o amigo caiu e se protegeu com as mãos. Esta testemunha confirmou as agressões na madrugada dos factos.

Outra questão que levantou dúvidas ao Tribunal são os motivos que levaram os três amigos de Giovani a deixá-lo sozinho quando este se queixava de dores na cabeça e já apresentar um inchaço, para irem à procura de um telemóvel e de uma carteira que teriam deixado cair durante a rixa. Além disso, durante algum tempo "perderam Giovani" na Avenida Sá Carneiro, situação para a qual não dão uma explicação lógica.

Luís Giovani foi declarado morto no dia 31 de dezembro no Hospital de Santo António no Porto, onde estava internado há 10 dias em coma devido a um traumatismo cranioencefálico. Na madrugada de 21 de dezembro tinha estado envolvido numa rixa à saída de um bar em Bragança, onde, segundo os amigos que o acompanhavam, foram todos agredidos.

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