Leiria

Transferência de jogador senta dois dirigentes e um advogado no banco dos réus

Transferência de jogador senta dois dirigentes e um advogado no banco dos réus

O antigo presidente da União Desportiva de Leiria (UDL) e ex-vogal do conselho de administração da SAD da UDL, Mário Cruz, afirmou, esta quarta-feira, perante o Tribunal de Leiria, que foram depositadas duas verbas na sua conta, provenientes do estrangeiro, que transferiu para outras contas bancárias, por indicação do diretor desportivo, Rodolfo Vaz.

Mário Cruz foi ouvido na qualidade de assistente no âmbito do julgamento que tem como arguidos João Bartolomeu, então presidente da SAD, Duarte Oliveira e Costa, advogado da SAD, e Rodolfo Vaz, acusados do crime de abuso de confiança fiscal agravado, relativo à transferência do jogador de futebol Tiago Terroso.

"O Rodolfo Vaz disse que eu ia receber o dinheiro e para eu passar pela sede da SAD, para a administrativa me dar a indicação para onde o devia devolver", explicou Mário Cruz. "Foi-me fornecida uma lista, escrita à máquina, com os NIB [Número de Identificação Bancária], os valores e os nomes das pessoas. Passei no banco e depois entreguei os documentos no escritório.", afirmou.

O assistente garantiu que "desconhecia por completo de onde o dinheiro vinha" e presumiu que esses montantes serviriam para pagar os ordenados de funcionários da SAD da UDL. Questionado pela procuradora do Ministério Público se a situação lhe causou "alguma estranheza", Mário Cruz respondeu que não. "Na altura, as contas da SAD estavam penhoradas. Presumi que fosse esse o motivo, porque a SAD não tinha crédito", justificou.

Técnica Oficial de Contas da UDL entre 2009 e 2012, a testemunha Elsa Lopes afirmou que reportava a João Bartolomeu sempre que havia falta de liquidez, que resolvia o problema, e acrescentou que era frequente haver atrasos no pagamento dos salários. "A UDL não tinha dinheiro e havia salários para pagar. Muitas vezes, recorria-se ao sr. João."

"O João Bartolomeu tinha uma empresa [B Investimentos] que era credora da UDL. A SAD devia-lhe uma verba avultada", confirmou Mário Cruz, pois, quando era preciso dinheiro, era o presidente da SAD que o arranjava. Embora à época desconhecesse a quem se destinavam os montantes que transferiu, soube mais tarde que estariam relacionados com a venda do jogador Tiago Terroso a um clube estrangeiro [ucraniano]. "Perguntei ao Rodolfo [Vaz] se confirmava e ele disse que sim."

Quanto aos restantes arguidos, o antigo presidente da UDL disse que que "nenhum negócio era feito sem o conhecimento do presidente [da SAD], do advogado e do diretor desportivo". Na primeira sessão de julgamento, nenhum dos arguidos quis prestar declarações. A segunda sessão prossegue no dia 2 de março, no Tribunal da Marinha Grande, ocasião em que serão ouvidos antigos jogadores.

PUB

Em causa está a transferência, por 130 mil euros, do futebolista Tiago Terroso da União Desportiva de Leiria (UDL) SAD para o clube ucraniano Chernomorets, tendo, alegadamente, os acusados ficado com dinheiro da transação.

Segundo o despacho de acusação, os arguidos, "pretendendo sonegar dinheiro à UDL SAD", elaboraram, antes de julho de 2011, um plano que "passaria por celebrar um contrato entre a UDL SAD e a B - Investimentos, SGPS", ambas presididas por João Bartolomeu, "aí procedendo, sem qualquer motivo ou justificação, à divisão de direitos económicos resultantes da transferência dos direitos federativos" daquele atleta.

O Ministério Público relata que depois foi "elaborada uma outra parte do plano", para que os valores a pagar pelo Chernomorets "não fossem entregues à UDL SAD, mas antes depositados numa conta da sociedade ASLAM, criada e controlada" pelo advogado, que posteriormente dividiria "esses valores entre os três".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG