Odemira

Três dos sete militares da GNR acusados pelo MP já tinham sido condenados em 2020

Três dos sete militares da GNR acusados pelo MP já tinham sido condenados em 2020

Três dos sete militares da GNR acusados num processo judicial de sequestro e agressões a imigrantes, em Odemira, já tinham sido condenados, em julho de 2020, num caso também com trabalhadores estrangeiros, naquele concelho.

Os três militares, Rúben Candeias, João Lopes e Nelson Lima, estão agora acusados pelo Ministério Público (MP) por crimes de ofensas à integridade física e abuso de poder contra imigrantes presumivelmente da região do Indostão.

Além disso, segundo o despacho de acusação, de 10 de novembro e consultado esta sexta-feira pela agência Lusa, dois deles, Rúben Candeias e João Lopes, estão também acusados, cada um, de um crime de sequestro de um trabalhador imigrante.

Segundo o Ministério da Administração Interna, foram desencadeadas, "de imediato" pela Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), "as providências necessárias à avaliação dos factos", estando "o inquérito ainda em curso".

Fonte da GNR disse à Lusa que cinco dos sete militares acusados estão a trabalhar normalmente e aguardam a conclusão dos processos com as medidas sancionatórias da IGAI.

O caso foi revelado em exclusivo pelo JN, em 22 de setembro do ano passado, quando deu conta que quatro militares, dois dos quais condenados num anterior processo de agressão a imigrantes indianos, tinham sido constituídos arguidos pela Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal.

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Aquando da detenção de cinco militares, em 8 de maio de 2019, pelos atos perpetrados contra os imigrantes, a PJ apreendeu e analisou os telemóveis dos arguidos, tendo detetado as fotografias e vídeos onde outros cidadãos asiáticos são obrigados a fazerem flexões, polichinelos e a rastejar tanto no exterior como no interior do posto. Depois de verem as imagens, os inspetores remeteram o caso para o Ministério Público de Odemira que extraiu uma certidão e ordenou a investigação num processo autónomo.

A PJ de Setúbal notificou os dois militares, de 24 e 27 anos, proprietários dos telemóveis, para prestarem declarações, tendo-os constituído arguidos. A assistir às ações estavam outros cinco militares do posto, mas só dois deles foram identificados, tendo também sido constituídos arguidos. Os outros três militares que apareciam nas fotos e nas filmagens, estavam de costas, não sendo possível a identificação direta, não tendo os mesmos sido identificados por nenhum dos quatro arguidos. No entanto, o comandante do posto foi chamado a depor perante a PJ e identificou os referidos militares pelas vozes.

Num processo julgado no Tribunal de Beja, cujo acórdão foi proferido no dia 3 de julho de 2020, e que teve origem num jantar na última noite do mês de setembro de 2018, num restaurante de Almograve (Odemira), os dois principais envolvidos nesta investigação, que acusa os sete militares, foram condenados, um a quatro anos de prisão e outro a três anos e seis meses de prisão, ambos suspensos de funções na GNR durante 2 anos.

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