Vítima tinha 33 anos

Três médicos acusados de homicídio por negligência em Leiria

Três médicos acusados de homicídio por negligência em Leiria

O Ministério Público acusou dois médicos e uma médica do Centro Hospitalar de São Francisco, em Leiria, de homicídio por negligência. A vítima tinha 33 anos e morreu em dezembro de 2017, deixando órfãos dois filhos menores. Os clínicos não terão reagido como deviam à paragem respiratória da mulher e, depois, não a acompanharam no transporte até outro hospital.

A 19 de julho de 2017, Marisa Nunes deu entrada no Serviço de Radiologia do hospital privado de São Francisco, em Leiria, para ser sujeita à realização de uma Angio TAC Cardíaca. Porém, após a administração de contraste iodado, perdeu a consciência e entrou em paragem respiratória.

Segundo a acusação, durante as manobras de reanimação realizadas por dois dos arguidos, "estes não determinaram a administração de adrenalina à vítima, o que poderia ter revertido o seu quadro e possibilitado o desenvolvimento de ritmo cardíaco passível de cardioversão".

A terceira arguida ordenou a administração de adrenalina. Todavia, prossegue a acusação, perante a não reação da paciente deveria ter ordenado a aplicação de uma dose superior o que não fez. Na sequência destas omissões, a vítima não recuperou o ritmo cardíaco, tendo ficado com encefalopatia anóxica, estado que foi irreversível.

Marisa seria depois transportada para o Hospital de Santo André, em Leiria. Nenhum dos arguidos a acompanhou pelo que, "em consequência de tal omissão, o suporte avançado de vida foi interrompido, passando a suporte básico de vida e, por conseguinte, não foi administrado soro, nem adrenalina de cinco em cinco minutos, tal como deveria, entrando aquela em paragem cardio-respiratória".

A vítima ainda viria a recuperar o pulso após manobras de reanimação no Hospital de Santo André, mas sem nunca recuperar consciência. Ainda em coma, a 18 de agosto de 2017, foi transferida para o Hospital Distrital de Santarém. No dia 6 de dezembro, acabaria por falecer.

"Embora pudessem e devessem ter procedido à administração de adrenalina no tempo e nas doses que se impunham, bem como ter acompanhado a vítima no transporte para o Hospital de Santo André, o que era correspondente à boa prática clínica, os arguidos não tomaram tais medidas, confiantes de que o resultado morte se não produziria, tendo sido a inobservância dessas práticas clínicas que aumentou o risco de produção da morte da doente, que se veio a verificar", aponta a Procuradora da República de Leiria

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O inquérito foi dirigido e investigado pelo Ministério Público da 2.ª Secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da comarca de Leiria.

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