Lisboa

Tribunal aplica primeira prisão preventiva para traficantes de meixão 

Tribunal aplica primeira prisão preventiva para traficantes de meixão 

O Tribunal de Lisboa aplicou pela primeira vez em Portugal a medida de coação mais pesada por tráfico de meixão, ou enguia juvenil, a três homens de nacionalidade chinesa.

O Ministério Público de Lisboa deteve na semana passada sete suspeitos, cinco chineses e dois portugueses pelos crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais e dano contra a natureza. Para a investigação, que durou um ano, o MP montou uma inédita equipa de investigação contra crimes ambientais, que contou com a colaboração da EUROPOL.

Três indivíduos de nacionalidade chinesa, residentes em Setúbal e Lisboa, tidos como os cabecilhas da rede criminosa ficaram em prisão preventiva. O juiz de instrução do Tribunal de Lisboa validou as provas recolhidas pelos crimes de associação criminosa e branqueamento de capitais no tráfico de meixão, até agora visto como um crime de dano contra a natureza punível por multa. Foram verificados os perigos de fuga, de continuação de atividade criminosa e perturbação do inquérito pelos três cabecilhas que ficaram assim em prisão preventiva.

Na operação do MP de Lisboa foram executados 13 mandados de busca e apreensão, nove deles em residências e em sede de empresa, nas áreas de Lisboa, Setúbal, Vila do Conde e Alcácer do Sal. Foram apreendidas seis viaturas, três delas de alta cilindrada, 78 mil euros dez redes de meixão, nove tanques de conservação de meixão com equipamentos de refrigeração, material destinado à preservação e tráfico da espécie por via aérea ou terrestre, bem como telemóveis e bloqueadores de sinal. Foram também apreendidos exemplares de meixão, diversas armas de fogo, cartuchos e armas brancas.

O crime que até agora compensava, com penas de multa por dano contra a natureza pela proibição da captura desta enguia juvenil, deixou de o ser devido a uma pioneira equipa de investigação contra crimes ambientais montada pelo DIAP de Lisboa. A equipa é composta pela Polícia Marítima, PSP, ASAE e Autoridade Tributária, com a colaboração do Instituto de conservação natureza e florestas e da EUROPOL.</p>

A investigação começou em fevereiro de 2020 com a apreensão de meixão no aeroporto de Lisboa. Nessa altura, sete pessoas de Gondomar, Porto e Braga foram intercetadas com 70 quilos de meixão em oito malas especialmente preparadas para manter a enguia viva. No país asiático de destino, onde o meixão é considera uma iguaria gastronómica, valeriam 450 mil euros.

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