Julgamento

Tribunal não sabe onde está fonte que alertou para assalto a Tancos

Tribunal não sabe onde está fonte que alertou para assalto a Tancos

O Tribunal Central Criminal de Santarém não conseguiu notificar para testemunhar esta segunda-feira em julgamento o homem que alertou a Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público (MP) para um possível assalto a instalações militares três meses antes do furto aos paióis de Tancos, em 2017. Paulo Lemos, conhecido por "Fechaduras", já não se encontrará na morada que deu à Justiça.

O MP irá agora tentar perceber quais são as moradas associadas a "Fechaduras" nas bases de dados da Segurança Social, das Finanças e do Cartão do Cidadão, adiantou, esta segunda-feira, o procurador presente no julgamento. As operadoras de telecomunicações serão igualmente oficiadas para indicar se têm algum registo do número de telemóvel da testemunha e da residência a ela associada.

O depoimento foi, assim, reagendado pelo tribunal para 13 de abril de 2021, de modo a dar tempo para que estas diligências se concretizem e "Fechaduras" seja notificado. Paulo Lemos foi arrolado como testemunha quer pelo MP quer pela defesa de alguns dos 23 arguidos.

Segundo o mentor confesso do assalto a Tancos, João Paulino, "Fechaduras" terá participado no planeamento do furto, chegando mesmo a sugerir que poderia ser comprado, em Espanha, um instrumento capaz de abrir qualquer fechadura, independentemente do modelo.

Dias depois, ter-se-á arrependido e comunicado à PJ civil e ao MP, em março de 2017, que estaria para acontecer um assalto a instalações militares na região Centro. Apesar do alerta, o furto acabaria mesmo por acontecer a 28 de junho de 2017.

Paulino, de 34 anos, e outros oito arguidos acabaram por ser acusados na sequência do assalto. Um nono é suspeito da prática de crimes ligados ao tráfico de droga. Os restantes 13 estarão ligados à recuperação encenada da maioria das armas na Chamusca, a 18 de outubro de 2017, alegadamente orquestrada por elementos da Polícia Judiciária Militar e da GNR, com a cobertura institucional do então ministro da Defesa, José Azeredo Lopes. O antigo governante, de 59 anos, nega todas as acusações.

Já "Fechaduras" não foi acusado de qualquer crime pelo MP.

PUB

O julgamento, iniciado a 2 de novembro de 2020, continua na terça-feira, numa sala do CNEMA - Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, em Santarém.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG