Julgamento em Mirandela

Perita vai voltar a ser ouvida em tribunal no caso da mãe que atirou o filho ao poço

Perita vai voltar a ser ouvida em tribunal no caso da mãe que atirou o filho ao poço

O Tribunal de Mirandela decidiu, esta sexta-feira, que deverá prestar mais esclarecimentos em sede de julgamento a perita que elaborou o relatório social do caso da mulher acusada de crime de homicídio qualificado consumado, cuja vítima foi o filho que padecia de autismo.

Na sessão realizada esta manhã, o coletivo de juízes deferiu um requerimento do Ministério Público que solicitava que a perita voltasse ao julgamento para que possa fazer outros esclarecimentos, nomeadamente sobre a pressão psicológica a que a mulher, Fátima Martinho, com 53 anos, estaria sujeita enquanto cuidadora do filho, o que lhe terá provocado um alegado estado de burnout (exaustão emocional). A sessão ficou marcada para o próximo dia 15 de setembro.

O crime remonta ao dia 6 de julho de 2020 e ocorreu em Cabanelas, concelho de Mirandela, num terreno isolado a cerca de três quilómetros daquela aldeia, onde mãe e filho residiam. Segundo a acusação, que se baseia na confissão da arguida, esta sedou com medicamentos o filho autista de 17 anos e empurrou-o para um poço com seis metros de profundidade.

A mulher pensava que o filho se afogaria de imediato ao atirá-lo para o poço, só que tal não aconteceu. Quando se apercebeu que o jovem que sofria de autismo profundo e de epilepsia estava vivo, a acusada desceu e forçou o afogamento com as próprias mãos.

Fátima Martinho, que é divorciada e cuidava sozinha do filho, queixava-se aos vizinhos que o filho era violento, comportamentos que terão piorado com a situação de pandemia de covid-19 e o período de confinamento, porque o jovem deixou de frequentar o ensino especial no Agrupamento de Escolas de Vinhais.

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Na sessão desta manhã foi ouvida por videoconferência uma professora especializada em Ensino Especial, Celmira Macedo, que acompanhou Eduardo José, em Vinhais, na altura com seis anos, e que disse que Fátima Martinho era uma "mãe extremosa", que lidava com o filho "como se tivesse um tesouro nas mãos", sublinhando que o rapaz era superprotegido.

A acusação considera que a mãe não dava a medicação nos moldes prescritos ao filho.

Fátima Martinho disse mais uma vez em tribunal que amava o filho e lavada em lágrimas explicou que naquele dia tinha ido passear com Eduardo para um terreno porque este estava agitado, mas no terreno, onde havia um poço, ele teve uma crise e a tragédia aconteceu.

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