Castro Daire

Trio apanha 24 e 25 anos de cadeia por matar mulher devido a desavenças familiares

Trio apanha 24 e 25 anos de cadeia por matar mulher devido a desavenças familiares

O Tribunal de Viseu condenou, esta sexta-feira à tarde, a penas de 24 e 25 anos de prisão dois homens e uma mulher que mataram, em fevereiro do ano passado, uma mulher devido à venda de um carro avariado e alegadas traições envolvendo um dos arguidos. O caso aconteceu em Lamelas, no concelho de Castro Daire.

A mulher, Celeste Soares, de 53 anos, foi abatida com três tiros de caçadeira quando estava a dormir ao início da manhã do dia 23 de fevereiro de 2021.

Alice Silva, de 39 anos, irmã da mulher assassinada, António Barros, cunhado, com 32 anos, e o amigo deste, Afonso Salazar, de 48 anos, estavam acusados dos crimes de homicídio qualificado agravado por posse de arma de fogo, furto qualificado e detenção de arma proibida.

A juíza, que presidiu ao coletivo, disse que o tribunal deu como provados todos os crimes que constavam da acusação.

Alexandra Albuquerque explicou que a vítima andava desavinda com a irmã e o cunhado, devido à venda por 300 euros de um automóvel que correu mal. As más relações entre ambos foram também motivadas por boatos de infidelidades de António, que chegou a ameaçar Celeste de morte. No dia anterior ao crime, a vítima apresentou queixa na GNR contra os familiares.

"Para se vingar de Celeste" o casal engendrou um plano para pôr fim à sua vida, tendo para o efeito chamado Afonso Salazar, um amigo que António tinha conhecido na cadeia. Ao cúmplice prometeram o ouro que a familiar tinha guardado num cofre e outros objetos de valor existentes na casa.

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"Os arguidos agiram com dolo direto e intenso, sem fundação, remorsos, de forma violenta e a sangue frio, revelando um profundo desprezo pela vida humana", referiu a juiz presidente, acrescentando que o trio não mostrou arrependimento pelos crimes cometidos.

Alexandra Albuquerque considerou a conduta dos dois homens e da mulher neste caso "arrepiante", "não só pela globalidade dos factos, dados como provados, como pela ligeireza e facilidade com que o arguido Afonso aceitou cometer um homicídio apenas porque viu a perspetiva de ter alguns objetos em ouro".

"É impressionante o facto da arguida Alice ter participado na morte da irmã e ainda dissesse que estava de consciência tranquila", acrescentou.

Já depois de anunciar as penas, Alexandra Albuquerque disse que os "arguidos terão que conviver com estas penas pesadas, mas sobretudo e principalmente com o peso de consciência".

Para além das penas de 24 e 25 anos de prisão, os três arguidos têm ainda de pagar 140 mil euros a cada um dos dois filhos da vítima. O arguido Afonso Salazar não assistiu à leitura do acórdão por ter sido operado na quinta-feira.

A juiz presidente leu o acórdão a partir de casa, por videoconferência, por estar infetada com covid-19.

À saída do tribunal, o advogado de Afonso Salazar falou aos jornalistas para dizer que vai analisar o acórdão e depois agir em conformidade. "Não posso dizer a quente porque a quente se dizem muitas asneiras, vou analisar e depois se verá", disse.

Os advogados dos outros arguidos não aceitaram falar. Já a representante dos filhos da vítima, Joana Sevivas, falou em sentimento de justiça.

"Os meus clientes nunca vão sair daqui com uma vitória, porque isto começou com a morte da mãe deles, mas penso que o sentimento que têm é de justiça porque os culpados foram condenados. Sentem algum repouso por saberem o que aconteceu à mãe", sustentou.

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