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UMAR homenageia 28 mulheres assassinadas este ano

UMAR homenageia 28 mulheres assassinadas este ano

A UMAR homenageou esta manhã de quarta-feira as mulheres que "perderam a vida de uma forma injusta e criminosa" este ano em Portugal. Na praça da Batalha, no Porto, colocaram uma boina por cada mulher assassinada de janeiro a novembro de 2022.

Foram 28 boinas; 28 mulheres assassinadas. Um número que "não podemos continuar a aceitar", frisou. A associação quer mais ação da sociedade e mais proteção por parte do Estado às mulheres que continuam a sofrer.

"A sociedade civil tem de agir efetivamente, denunciando este crime e não ignorando-o, fazendo de conta que não nos diz respeito", apelou Ilda Afonso. A dirigente da UMAR frisou que o Estado tem de proteger estas mulheres e têm de ser os agressores a ser retirados de casa.

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"Temos nestes assassinatos, muitas situações em que a mulher já tinha feito denúncia, já tinha pedido ajuda e isso não a bastou para a proteger. É preciso levar a sério o crime de violência doméstica", pediu, apelando a uma maior aplicação de prisões preventivas e pulseiras eletrónicas, bem como o afastamento dos agressores das vítimas e das respetivas casas enquanto o caso é averiguado.

Proteção continua a falhar

Ilda Afonso revelou que o número de assassinatos registados este ano é superior a 2021, mas, olhando para os últimos 15 anos, não se pode dizer que haja uma tendência de subida. "Há anos com mais e anos com menos mortes. O que podemos dizer é que, ao fim de 15 anos, a proteção a este tipo de vítimas com um risco muito elevado continua a falhar. Não podemos aceitar que continuemos a ter estes números ano após ano e não existam medidas efetivas de proteção às vítimas."

Sociedade civil tem de agir

A dirigente lembra que, após os crimes, muitas vezes descobre-se que os vizinhos, os familiares, os filhos sabiam que a violência existia, desvalorizaram e não apresentaram denúncia. "A sociedade civil tem um papel. Tem de agir. Tem de denunciar. Tem de fazer alguma coisa. Não pode ignorar", pediu.

Por outro lado, há situações em que as vítimas pediram ajuda e isso não bastou para as proteger. "Isso significa que é preciso fazer mais", conclui. "Quando são ameaçadas de morte é preciso levar a sério essas ameaças. E não desvalorizar como tem sucedido pela sociedade em geral, pelas autoridades e pelo Estado que não tem respostas efetivas para proteger estas mulheres", recomendou a dirigente.

"Na maioria das situações as mulheres e as crianças podiam ficar em suas casas se os agressores fossem afastados e presos ou vigiados. Isto permitira que as casas abrigo, que estão completamente lotadas, estivessem sempre disponíveis para as situações de risco muito elevado", frisou.

A dirigente da UMAR desvalorizou um eventual aumento da moldura penal porque "o objetivo é que as mulheres não sejam mortas" e também porque é indiferente para o agressor se ele passa 10, 20 ou 30 anos na cadeia. "Tomou a decisão de matar e sabe que vai para a cadeia. O que é importante é proteger a vítima antes dela ser assassinada", reiterou.

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