Operação Marquês

Vara em tribunal para dizer que filha nada sabia sobre origem do dinheiro

Vara em tribunal para dizer que filha nada sabia sobre origem do dinheiro

Armando Vara, ex-administrador da Caixa Geral de Depósitos, chegou às 13.42 horas desta terça-feira ao Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, para confirmar, no âmbito da instrução da Operação Marquês, que a filha nada sabia sobre a proveniência ilícita do dinheiro depositado numa conta, na Suíça, de uma sociedade offshore, da qual era beneficiária.

Bárbara Vara está acusada de dois crimes de branqueamento de capitais.

O ex-gestor do banco público, também arguido no processo, deveria ter prestado declarações, enquanto testemunha abonatória da filha, a 29 de janeiro, mas o depoimento acabou por ser adiado uma semana, devido à greve dos guardas prisionais. Armando Vara, atualmente a cumprir pena de prisão em Évora no âmbito do processo Face Oculta, chegou ao Tribunal Central de Instrução Crimina​​​​​​l (​TCIC) numa carrinha celular, algemado, cerca de 20 minutos antes da hora marcada para o início da terceira sessão da instrução da Operação Marquês.

Esta fase - facultativa e requerida pelos arguidos - destina-se a apurar se existem indícios suficientemente fortes para o processo seguir para julgamento. Em causa estão 188 crimes de corrupção, branqueamento de capitais, fraude fiscal, falsificação de documento e posse de arma proibida distribuídos por 28 pessoas individuais e coletivas, entre as quais o antigo primeiro-ministro José Sócrates.

No arranque da instrução, a 28 de janeiro, Bárbara Vara garantiu ao juiz Ivo Rosa que, apesar de ser beneficiária da conta onde Armando Vara terá recebido, segundo a acusação, um milhão de euros em luvas por alegadamente ter favorecido o empreendimento Vale do Lobo (Algarve) num empréstimo ruinoso para a CGD, se limitou a confiar do pai, desconhecendo a origem do dinheiro. O montante, defende o Ministério Público, terá sido depois "branqueado" com a compra de um apartamento em Lisboa. A expectativa é de que, esta terça-feira, Armando Vara negue, à semelhança do que já fez em ocasiões anteriores, o conhecimento por parte da filha de qualquer ato ilícito.

O antigo administrador do banco público é a quarta e última testemunha arrolada pela defesa de Bárbara Vara a prestar depoimento. A 30 de janeiro, testemunharam Maria Isabel Figueira, mãe da gestora de imagem, João Carlos Silva, ligado à sociedade que participou no negócio da compra do apartamento em Lisboa, e dois amigos da família Vara, conhecedores da relação entre pai e filha.

Depois desta terça-feira, a instrução da Operação Marquês deverá ser retomada na última semana de fevereiro, com o interrogatório, no dia 25, de Sofia Fava, ex-mulher de José Sócrates, também arguida no processo. Para já, não está agendada qualquer inquirição de Armando Vara na condição de arguido. À entrada, o seu advogado, Tiago Rodrigues Bastos, escusou-se a esclarecer se irá aproveitar a sessão desta terça-feira para o fazer.