Racismo

Ventura desvaloriza ameaças racistas a deputadas e ativistas: "Quando são estes coitadinhos, toda a gente chora"

Ventura desvaloriza ameaças racistas a deputadas e ativistas: "Quando são estes coitadinhos, toda a gente chora"

André Ventura desvalorizou as ameaças racistas de que foram alvo três deputadas, a SOS Racismo e outros dirigentes antirracistas e sindicais por parte de um grupo de extrema-direita.

Em duas publicações no Twitter, Ventura diz que ele e o seu partido, o Chega, são ameaçados diariamente e que "ninguém fica alarmado". "Quando são estes coitadinhos, toda a gente chora e grita. Miserável país!", escreveu o deputado único do partido de extrema-direita, que tem insistido na ideia de que não existe racismo em Portugal.

Pouco mais de três dias após uma parada supremacista branca em frente à sede da SOS Racismo, a fazer lembrar episódios da Ku Klux Klan, a Polícia Judiciária (PJ) já está a investigar a ameaça levado a cabo por um novo grupo de extrema-direita que se autodenomina "Resistência Nacional".

Ao JN, Mamadou Ba adiantou que prestou, esta quarta-feira, declarações à PJ no âmbito deste caso. "Quero acreditar que, com esta iniciativa da Polícia Judiciária, o Estado tudo fará para finalmente combater com maior eficácia o terrorismo de extrema-direita no espaço público, porque, mais do que uma ameaça a mim e aos meus, é a ordem democrática que está a ser posta em risco e ameaçada", acrescentou.

O dirigente da SOS Racismo confirmou a receção pela organização de um email que dá um prazo de 48 horas para que dez pessoas abandonem o país. Na missiva, o grupo fascista anuncia ainda que neste mês de agosto um "novo nacionalismo" irá solidificar-se.

O texto nomeia três deputadas, Joacine Katar Moreira (Independente), Beatriz Gomes Dias e Mariana Mortágua, ambas do BE, o dirigente da SOS Racismo, Mamadou Ba, e várias personalidades ligadas a movimentos antifascistas, antirracistas, sindicalistas e LGBTI+, onde se contam membros da Frente Unitária Antifascista (FUA) e do Sindicato dos Trabalhadores de Call Center.

O Bloco de Esquerda adiantou, ao JN, que "deu imediatamente conhecimento à PJ" de tais ameaças. Mais: "as duas deputadas do Bloco irão apresentar queixa ao Ministério Público". Entretanto, autoridades já fizeram perícias aos computadores da SOS Racismo.

Além das três parlamentares, de Mamadou Bá, foram alvo das ameaças os ativistas Danilo Moreira, dirigente sindical dos trabalhadores dos Call Centers e da FUA, Jonathan Costa, também da FUA, Luís Lisboa, do Núcleo Antifascista de Guimarães, Melissa Rodrigues, membro do Núcleo Antirracista do Porto, Rita Osório, ativista LGBT e da Plataforma Antifascista, e Vasco Santos, que além de ser do Sindicato da Função Pública do Norte, também integra a FUA e o Movimento Alternativa Socialista (que resultou de uma cisão dentro do BE).

Na noite de sábado, pelas 22 horas, o grupo de extrema-direita denominado "Resistência Nacional" concentrou-se junto à sede da SOS Racismo, em Lisboa.

Os manifestantes estavam tapados com máscaras brancas, vestidos com roupa preta e munidos de tochas. Nas redes sociais, o grupo disse ter ido homenagear "a memória dos polícias mortos".

Outras Notícias