Local

Douro Vinhateiro: o fluxo turístico também contra a sangria demográfica

Douro Vinhateiro: o fluxo turístico também contra a sangria demográfica

Setor rendeu 174 milhões em cinco anos, mas a região perdeu 30 mil habitantes em duas décadas. Comunidade Intermunicipal do Douro reclama "medidas nacionais e europeias" para estancar a perda acentuada de população.

Em 20 anos de Património Mundial e em contraciclo com o crescimento do turismo, o Alto Douro Vinhateiro não evitou a hemorragia populacional. Passou de 220 mil para 190 mil habitantes. "O problema demográfico é nacional e europeu e requer medidas nacionais e europeias. E nós estamos abertos a novas medidas, designadamente que envolvam migrantes que nos ajudem a crescer. Nós precisamos de gente no Douro", afirma Luís Reguengo Machado, presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião e vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM-Douro).

A assinalar duas décadas sobre a atribuição do galardão da UNESCO, o Alto Douro Vinhateiro redodra a aposta nos mercados internacionais de turismo, designadamente nos chamados "mercados de alto rendimento", como o presidente da Entidade de Turismo do Porto e do Norte classifica os viajantes oriundos dos Estados Unidos, do Brasil, do Canadá, da Ásia-Pacífico, da França ou do Reino Unido. "São mercados de grande importância para o Porto e para o Norte, para ajudar a combater a sazonalidade e a estada média", observa Luís Pedro Martins.

PUB

"Boom" de 174 milhões

No Alto Vinhateiro, quem lá vive também verifica o crescimento destes circuitos turísticos e destes fluxos de viajantes, que ajudam a povoar e estimular os territórios, ainda que em permanências flutuantes e sazonais. Nos cinco anos que antecederam a pandemia de covid-19, entre 2015 e 2019, em pleno "boom" do turismo, o setor da hotelaria duriense quintuplicou as receitas e faturou 174 milhões de euros. E na última década, desde 2011, o Douro registou, em média, uma nova unidade hoteleira por mês. Toda uma tendência que vai em sentido contrário ao da acentua perda de população no Alto Douro.

"Passados 20 anos deste reconhecimento da Unesco por uma região que é a de demarcação mais antiga do mundo, chegou o momento de alertarmos a Administração Central para esse problema. Precisamos de gente no Douro. E isso tem que ver com a mobilidade. A ferrovia é indispensável e já está a dar o seu primeiros passos, mas o que pretendemos é que seja acelerada o máximo possível", afirma Luís Reguengo Machado, a propósito dos projetos de melhoramento da Linha do Douro, incluindo a anunciada retoma da circulação entre o Pocinho e Barca, que reabrirá a região a Espanha.

O vice-presidente da CIM-Douro reclama, ainda, a execução do projetado IC26, "que é determinante para a mobilidade da região, que sempre esteve na gaveta e que nenhum Governo teve a coragem de pôr em prática". O autarca de Santa Marta identifica um terceiro "projeto estruturante, a navegabilidade do Douro", outro "passo de gigante para que ninguém saia do Douro e, mais ainda, para que muitos voltem ao Douro".

5,3 milhões de dormidas

Em 20 anos, segundo dados da Pordata, a região passou de 34 para 165 unidades de alojamento, distribuídas pelos 19 concelhos da Comunidade Intermunicipal do Douro. Entre 2002 e 2020 o número de camas subiu de 2300 para 4580. Nesse mesmo período, as unidades hoteleiras do Douro registaram 3,4 milhões de hóspedes e 5,3 milhões de dormidas.

24 600 hectares

O Alto Douro Vinhateiro Património Mundial ocupa uma área de 24 600 hectares, em 13 concelhos ribeirinhos: Alijó, Armamar, Carrazeda de Ansiães, Lamego, Mesão Frio, Peso da Régua, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, São João da Pesqueira, Tabuaço, Torre de Moncorvo, Vila Nova de Foz Côa e Vila Real.

CIM Douro

Além dos concelhos ribeirinhos e com área classificada pela UNESCO - pertencentes aos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda e Viseu - a Comunidade Intermunicipal ainda inclui os municípios de Freixo de Espada à Cinta, Murça, Tarouca, Moimenta da Beira, Sernancelhe e Penedono.

A Rota dos Vinhos

O Alto Douro Vinhateiro faz parte da Rota dos Vinhos e do Enoturismo do Porto e Norte de Portugal, criada com o objetivo estratégico de contribuir para o desenvolvimento sustentável do setor. Nestes circuitos registam-se mais de 400 quintas com potencial para desenvolver atividade turística e atrativos diferenciadores, através do aproveitamento do potencial da cultura da vinha e do vinho, associando-o à notoriedade e posicionamento do destino Porto e Norte.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG