Rui Ramos Loza

"O Caminho tem valor para ser classificado como Património Mundial"

Foto Leonel De Castro/arquivo/global Imagens

Arquiteto, autor do "Estudo de viabilidade da candidatura à UNESCO do Caminho Português de Santiago"

Rui Ramos Loza diz que seria razoável e vantajoso que a candidatura a Património Mundial da UNESCO do Caminho Português de Santiago fosse apresentada em conjunto com Espanha. No entanto, considera ser difícil juntar uma grande diversidade de entidades.

Qual foi o foco do seu trabalho?

Estou focado no aspeto de se vale a pena e que probabilidades é que há de uma candidatura a Património Mundial ter sucesso. Nesse âmbito, a minha primeira conclusão é que o caminho tem valor, histórico, cultural, patrimonial, significativo para poder ser base de uma candidatura. Por outro lado, vale a pena, sobretudo, considerar a perspetiva que o Caminho Português entre como alargamento do bem que já existe classificado, que é o Caminho Francês. Isso pressuporia um processo de candidatura internacional, porque o caminho vai até à fronteira com a Galiza e, depois da fronteira, de Tui até Santiago, e seria mais razoável e de todo vantajoso, que a candidatura seja apresentada por Portugal e Espanha.

E com que realidade se depara essa possível candidatura?

Encontro no presente um conjunto de dificuldades a ultrapassar, que terão de ser vencidas através da articulação de uma grande diversidade de entidades interessadas.

No seu entender, será um argumento essencial para essa candidatura, que o caminho esteja em bom estado?

A candidatura implica a elaboração e apresentação à UNESCO de um plano de gestão. Se nem tudo estiver bem, desde que esteja planeada a sua conservação, manutenção, salvaguarda e valorização, e que o plano seja aprovado, não será. Quando o Porto entrou na lista do Património Mundial, estava muito longe de estar recuperado. O que é preciso é que eles (UNESCO) acreditem que o processo de gestão é sólido e não fugaz.

A gestão dos caminhos é diferente em Espanha e em Portugal?

Em Portugal, a gestão não existe e em Espanha, na Galiza, já existe uma instituição que gere os caminhos de Santiago. Estamos em pé de desigualdade. É uma dificuldade que teremos de vencer no futuro.

O ideal seria o mesmo tipo de gestão que se faz na Galiza?

Nós temos que aprender com a Galiza, mas não temos que copiar. O ideal seria que, à volta da mesa, as entidades mais representativas se entendam para estruturarem a condução de um processo que leve ao objetivo final, que é ver o caminho classificado e depois disso ter estrutura para o manter. O pior que podia acontecer era conseguirmos introduzir o património na lista da UNESCO e depois passado alguns anos ele estar tão desgovernado, que a UNESCO tivesse de retirar a candidatura.

O caminho está desgovernado, atualmente?

Não está desgovernado, mas está desarticulado.