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Comboio de Aveiro a Espanha dado como prioridade do país

Comboio de Aveiro a Espanha dado como prioridade do país

Daqui a uma década, a ferrovia entre Espanha e França permitirá desincentivar a passagem de camiões pelos congestionados Pirenéus, cobrando uma ecotaxa, por exemplo, e deixando as exportações portuguesas dependentes de Espanha.

Somando as questões ambientais e energéticas, justifica-se a urgência de uma linha capaz e compatível com a Europa, discorre Mário Lopes, presidente da Associação para o Desenvolvimento Integrado dos Transportes (Adfersit). A prioridade, diz, é uma: ligar Aveiro e Salamanca, via hoje seguida por 57% das exportações nacionais, por estrada. Em traços largos, calcula, o preço rondaria três ou quatro mil milhões de euros.

A ferrovia deve ser prioritária para a economia e as exportações portuguesas, concorda um dos mais reputados quadros em ferrovia, Arménio Matias. E, se assim é, a linha com mais impacto na competitividade é a que serve as regiões exportadoras, de Aveiro a Salamanca, diz.

Entre os autarcas e empresários das regiões, hoje continua válida a tese defendida há dois anos, quando apresentaram a Passos Coelho uma proposta para a ferrovia. Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), José Couto, presidente do Conselho Empresarial do Centro (CEC) e da Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças (RIET), Almeida Henriques, autarca de Viseu, e Eduardo Vítor Rodrigues, presidente de Gaia, adiantaram ao JN que Portugal deve apostar na ligação entre Aveiro e Salamanca.

Propõem construir um troço novo entre Aveiro e Mangualde, para evitar que as mercadorias tenham de fazer mais 50 quilómetros para entrar na linha da Beira Alta e eliminar os constrangimentos existentes nessa ligação; melhorar o troço atual entre Mangualde e a Guarda; e fazer uma nova ligação, daí até à fronteira. Ressalve-se ainda a tónica que Eduardo Vítor Rodrigues põe na ligação à Galiza.

Admitem ainda que deve ser construída uma segunda linha, entre Sines e Badajoz. Interessa sobretudo a Espanha e pode ser usada como moeda de troca para que Madrid viabilize a linha de Aveiro a Salamanca. Contudo, enquanto a ligação a Sul avança e garantiu parte do financiamento, a Norte só estão assegurados estudos, a completar em abril de 2017. As obras financiadas com o atual ciclo financeiro comunitário têm de acabar até 2022.

As pessoas ouvidas concordam com a necessidade de bons estudos, envolvendo todas as partes interessadas, mas esperam que seja adotada uma solução sustentada e não um remendo. Apenas renovar a atual linha da Beira Baixa, dizem, não é suficiente para que a ferrovia seja competitiva.

De onde vem o dinheiro?

Investir na ferrovia é fundamental, entende Paulo Cunha, presidente do Conselho Regional do Norte. E a falta de dinheiro é um argumento falacioso, diz Arménio Matias. "A crise não impediu Espanha de apostar na ferrovia."

Os fundos estruturais destinam 845 milhões de euros ao transporte sustentável. Fonte oficial do Compete adiantou que estão previstos investimentos em ferrovia (mas não entre Aveiro e Salamanca), sendo que o valor e o calendário estão em "processo de clarificação". Também a Infraestruturas de Portugal prevê a construção de uma ferrovia eficiente, que articule os portos do Norte e Salamanca, e mantém que entrará em serviço em 2020, apesar de ainda não estar tomada "qualquer decisão final sobre o percurso".

Somam-se 510 milhões da Connecting Europe Facility (CEF), específicos para Portugal. Ainda, há um bolo a distribuir por toda a Europa, mas a segunda ronda de candidaturas fecha em fevereiro, esgotando quase toda a verba.

*Com Carla Sofia Luz

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