Conferências de Gaia

Da casa desabitada fez-se um albergue aberto ao Mundo

Da casa desabitada fez-se um albergue aberto ao Mundo

Há cerca de 10 anos, quando o pároco de Grijó, em Gaia, se apercebeu que havia muitos peregrinos que passavam pelo mosteiro daquela freguesia, decidiu-se que era necessário um espaço onde estes pudessem pernoitar.

"Entretanto, alguns paroquianos, nomeadamente António Pires, membro da Archicofradía Universal del Glorioso Apóstol Santiago, fizeram várias peregrinações, incentivaram outros a fazer e ajudaram no acolhimento dos peregrinos. Criámos um movimento", recordou o padre António Coelho Oliveira, pároco de Grijó e vigário--geral da diocese do Porto.

Esse movimento deu origem, em 2012, à Confraria de Santiago da paróquia de S. Salvador de Grijó, um grupo de pessoas que colaborava no acolhimento dos peregrinos e que, neste momento, é constituído por 41 membros. "O que acontecia muitas vezes era levarmos os peregrinos para pequenos hotéis, para o quartel dos bombeiros ou ao lar juvenil", explicou António Oliveira. Mas isso mudou em julho de 2014, quando inauguraram o Albergue S. Salvador de Grijó.

Um espaço com uma história curiosa. "O edifício era de uma casa não habitada, propriedade dos pais do jogador de futebol André Gomes, que a ofereceram ao centro social da paróquia. A casa foi aproveitada para construir um albergue", lembrou o pároco. Apesar de ser "uma casa simples", tem "condições para acolher 14 peregrinos", por um valor simbólico de sete euros "para despesas de água, luz, energia, gás e cobertura das camas".

Até hoje, por lá passaram "mais de dois mil peregrinos, de cerca de 50 países de todo o Mundo", sendo que "a grande maioria vai a caminho de Santiago e alguns, poucos, de Fátima", revelou António Oliveira.

O balanço é, portanto, "muito positivo". Mas há muito para melhorar: "Vamos criar melhores condições. Há mais espaços que estão a ser recuperados lentamente, nomeadamente mais 10 camas e um espaço de banhos", prometeu o pároco.

Numa visita do JN ao albergue, encontrámos alguns peregrinos a repousar. Duas mulheres da Holanda conversavam na cozinha, um jovem sul-coreano descansava no seu beliche e um casal da Austrália tinha acabado de chegar. Havia histórias de várias línguas para contar. "Planeámos esta viagem durante cerca de um ano e começámos em Lisboa, passámos por Coimbra e parámos em Gaia", contou a australiana Rosemary Archondakis, de 58 anos, enquanto o marido tentava dormir um pouco no quarto. "O sítio é bom, tem o básico, é simples, mas pelo menos temos alojamento. É a primeira vez em Portugal e estamos a adorar. As pessoas ajudam muito e são simpáticas", disse a peregrina.

Sobre o porquê de ter decidido fazer o caminho português para Santiago, Rosemary explicou que é "um desafio espiritual" e, como já fizeram o Caminho Francês, decidiram "fazer o português para comparar".

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