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Debilidades gritantes nos Caminhos de Santiago

Debilidades gritantes nos Caminhos de Santiago

Estudo conclui que falta gestão coordenada do produto turístico

Um estudo sobre o Caminho Português de Santiago no Norte de Portugal, realizado no âmbito do programa de Cooperação Transfronteiriça e do Interreg V-A Espanha-Portugal, conclui que este apresenta um conjunto de debilidades, resultantes da inexistência de uma gestão coordenada, que obstaculizam a sua emergência como "importante produto turístico" da região.

Fatores tão simples como a falta de critério na sinalética, que, por não se apresentar homogénea ao longo dos percursos, desorienta e confunde os peregrinos, são indicados como impeditivos de "uma experiência turística integral e de qualidade". "Atingir este objetivo passa, obrigatoriamente pela requalificação e potenciação das infraestruturas existentes, pela homogeneização da sinalética e pela formação para o acolhimento ao peregrino de acordo com as necessidades específicas que este turista revela", indica aquele estudo, que recomenda "a coordenação de investimentos e ações", articuladas entre as diferentes entidades com competência sobre os caminhos, desde municípios, a juntas de freguesia, associações de peregrinos e Igreja.

Concluído em 2015, o trabalho sobre o Caminho Português de Santiago no Norte de Portugal, promovido por entidades como a associação Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular e Junta da Galiza, versa estudos sobre o traçado, sua caracterização e justificação histórica, e de viabilidade de uma eventual candidatura à UNESCO. E conclui, por um lado, pelo "valor" efetivo dos percursos lusos, como "um bem" passível de classificação como Património Mundial (ver entrevista ao lado), e, por outro, numa visão direcionada para a vertente do interesse turístico, pela existência de "um importante conjunto de ocorrências que poderão ser evitadas e/ou corrigidas" ao longo da sua extensão, que derivam da "multiplicidade de atores" envolvidos na sua gestão.

A elaboração de um "manual de identidade" da sinalética de marcação dos Caminhos de Santiago no Norte de Portugal, que inclua regras de sinalização "estabelecidas pelo diploma que regula a imagem e sinalética dos Caminhos de Santiago na Galiza", para ser distribuído pelas diferentes entidades com responsabilidade na marcação do caminho, é uma da principais recomendações do estudo.

A auditoria destaca que ao longo do percurso principal entre o Porto e Valença, predomina a clássica seta amarela, que orienta o peregrino sobre a direção a seguir, mas que surge, por vezes, acompanhada de seta azul, que indica em sentido contrário o caminho para o santuário de Fátima. Foram identificadas, neste trabalho, 48 tipologias de sinalização e 25 sinais complementares, "muitos deles com a mesma função mas diferentes no desenho e tipo de materiais utilizados".

"Esta grande variedade de sinais é resultado, em parte, da falha de critérios normativos sobre as características que deve cumprir a sinalização", indica o estudo, aludindo a que existem, freguesias e municípios, que "inclusivamente, criaram sinalização própria para os Caminhos". Foram registados "sinais característicos" da Câmara Municipal de Barcelos e das freguesias de Pedra Furada, Vila Boa, Aborim e Balugães (todas de Barcelos), em Facha (Ponte de Lima), em Agualonga, Rubiães e Cossourado (Paredes de Coura), e Fontoura (Valença)".

Porto e Tui entre os principais pontos de partida de peregrinos

A grande maioria dos peregrinos que rumam a Santiago percorrem o Caminho Francês, mas a afluência ao Caminho Português tem registado" um notável crescimento" nos últimos anos, especialmente a partir do ano santo de 2010. Segundo o estudo acima referenciado, cidades como Tui e Porto "estão situadas, nos últimos anos, entre as dez primeiras na eleição do local de origem da peregrinação, juntamente com cidades como Sarria, Saint-Jean-Pied-de-Port, León, Cebreiro, Roncesvalles ou Ponferrada, entre outras, e todas elas cidades de passagem do Caminho Francês".

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